A deputada federal Coronel Fernanda (PL) rebateu as declarações do deputado estadual Gilberto Cattani (PL), que questionou a classificação de feminicídio ao comentar o assassinato da própria filha, Raquel Cattani. A parlamentar afirmou que o colega desconhece a legislação e defendeu a manutenção dos direitos conquistados pelas mulheres.
“Não concordo com o que o Cattani falou sobre feminicídio. Ele não deve conhecer a lei, não deve saber o porquê disso. Ele não é jurista. Nós devemos proteger as nossas mulheres, não podemos retroceder em nada”, declarou.
A polêmica começou após Cattani afirmar que a filha não foi morta por ser mulher, mas pelo ex-marido, que não aceitava o fim do relacionamento. O parlamentar sustentou que o crime foi motivado pela relação entre os dois e questionou a interpretação de que mulheres são assassinadas simplesmente por serem mulheres.
A fala endossou o posicionamento da deputada estadual eleita por São Paulo Eduarda Campopiano (PL), que também questionou a existência do feminicídio como uma classificação penal específica.
Coronel Fernanda, por sua vez, ressaltou que a legislação deve ser respeitada e afirmou que não aceitará retrocessos na proteção às mulheres. “Enquanto eu estiver na Câmara Federal, não permito. Não vou deixar e vou lutar 24 horas para que nenhuma conquista de nenhuma mulher retroceda”, disse.
A deputada também criticou a atuação do Governo Federal e cobrou mais agilidade na responsabilização de homens que cometem feminicídio. Segundo ela, não basta que a lei exista: é necessário garantir que as punições sejam aplicadas com maior rapidez.
“Apesar de a lei existir, ainda há poucas ações do Governo Federal para colocar essa lei em prática, para condenar com mais celeridade os homens que cometem o feminicídio, para que esses homens tenham penas mais severas, realmente executadas”, afirmou.
Assassinato de Raquel Cattani
Raquel Cattani foi assassinada a facadas em julho de 2024, na residência onde morava, na zona rural de Nova Mutum. Conforme as investigações, o ex-marido, Romero Xavier Mengarde, planejou o crime e prometeu pagar ao irmão, Rodrigo Xavier Mengarde, para executar o assassinato.
Em 23 de janeiro de 2026, o Tribunal do Júri de Nova Mutum condenou os dois envolvidos. Romero, apontado como mandante, recebeu pena de 30 anos de prisão por feminicídio. Rodrigo, responsável pela execução, foi condenado a 33 anos, três meses e 20 dias de reclusão por feminicídio e furto.
Os jurados reconheceram as qualificadoras de feminicídio, motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.