- CUIABÁ
- QUINTA-FEIRA, 15 , OUTUBRO 2026
O ex-secretário de Fazenda Rogério Gallo afirmou que o governo federal adotou uma postura de “revanchismo” contra o agronegócio durante a construção da reforma tributária, o que, na avaliação dele, prejudicou Mato Grosso. Ele acredita que uma mudança no cenário político nacional a partir de 2027 poderá abrir espaço para revisar pontos das novas regras.
Gallo destacou que o Estado poderá enfrentar perdas bilionárias na arrecadação devido à mudança na cobrança de impostos, que passa a priorizar o destino do consumo, em vez do local de produção. Em 2024, o então governador Mauro Mendes (União Brasil) estimou prejuízos entre R$ 7 bilhões e R$ 8 bilhões anuais. Projeções mais recentes apontam perdas de até R$ 10 bilhões.
Segundo o ex-secretário, os impactos precisam ser discutidos com responsabilidade, já que a economia mato-grossense depende fortemente da produção agropecuária e comercializa grande parte de seus produtos para outros estados.
“Não podemos colocar isso debaixo do tapete, porque senão nós seríamos irresponsáveis”, afirmou.
Gallo também criticou a distribuição dos recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional (FNDR). Segundo ele, Mato Grosso deverá receber cerca de R$ 1 bilhão de um total de R$ 60 bilhões. O ex-secretário atribuiu as dificuldades de articulação à falta de força política do Estado durante a tramitação da reforma no Congresso Nacional.
Na avaliação de Gallo, as divergências entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o agronegócio contribuíram para prejudicar Mato Grosso nas negociações. “Como o agronegócio em Mato Grosso representa 30% do agronegócio nacional, nosso Estado acabou sofrendo. E a reforma tributária foi um reflexo”, declarou.
Apesar das críticas, ele acredita que um novo cenário político a partir de 2027 poderá permitir a revisão de dispositivos da reforma, especialmente os relacionados ao financiamento dos governos estaduais e municipais.