terça-feira, 28 - abril 2026 - 07:19



ENDIVIDAMENTO FAMILIAR

Governo aposta em nova rodada do Desenrola diante de renda pressionada


Dario Durigan assumiu o comando do Ministério da Fazenda em março de 2026
Dario Durigan assumiu o comando do Ministério da Fazenda em março de 2026

O governo federal deve lançar nesta semana o Desenrola 2.0, nova fase do programa de renegociação de dívidas, em uma tentativa de conter o avanço do endividamento das famílias brasileiras e ampliar o acesso ao crédito em um cenário de pressão sobre a renda.

A expectativa do Palácio do Planalto é anunciar a medida próximo ao Dia Mundial do Trabalho, em 1º de maio, como parte de uma agenda voltada ao alívio financeiro da população. Os ajustes finais do programa estão em fase de conclusão. Nesta segunda-feira (27), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, se reuniu em São Paulo com representantes do setor financeiro para alinhar os últimos detalhes. Segundo ele, há consenso entre as partes e o anúncio deve ser feito ainda nesta semana pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Assim como na primeira edição, lançada em 2023, o programa será voltado à renegociação de dívidas negativadas, especialmente de cartão de crédito, cheque especial e crédito direto ao consumidor (CDC), modalidades que concentram os maiores juros e riscos de inadimplência prolongada.

A equipe econômica trabalha com a possibilidade de descontos que podem chegar a até 90%, além de condições de refinanciamento com juros inferiores aos praticados atualmente pelo mercado. Entre as novidades, está a autorização para uso parcial do FGTS na quitação de débitos dentro das regras do programa. A medida, no entanto, enfrenta resistência de setores ligados à habitação, que alertam para possíveis impactos no financiamento imobiliário e na função original do fundo.

O Desenrola 2.0 terá caráter temporário e contará com apoio do Fundo de Garantia de Operações (FGO), sem previsão de se tornar permanente. O relançamento ocorre em um momento em que o governo busca melhorar as condições de crédito e reduzir a pressão financeira sobre as famílias em meio a um cenário econômico ainda desafiador.

Dados recentes do Banco Central reforçam a preocupação. Em fevereiro, o estoque de dívidas das famílias atingiu 49,9% da renda disponível acumulada em 12 meses, o maior patamar da série histórica desde julho de 2022. Além disso, 29,7% da renda mensal das famílias estava comprometida com o pagamento de dívidas, grande parte destinada ao pagamento de juros.


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