- CUIABÁ
- SEXTA-FEIRA, 7 , AGOSTO 2026
O ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) afirmou nesta quinta-feira (6) que a Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal para apurar supostas irregularidades envolvendo o acordo de R$ 308 milhões firmado entre o Governo de Mato Grosso e a empresa Oi, teria sido articulada por adversários políticos com o objetivo de prejudicá-lo às vésperas das eleições.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Mauro citou nominalmente o senador Jayme Campos (União Brasil), a deputada estadual Janaina Riva (MDB), o ex-deputado federal Pedro Taques e o ex-ministro da Agricultura e Pecuária e senador Carlos Fávaro (PSD) ao acusar o grupo de pressionar autoridades em Brasília e antecipar a realização de uma operação.
“Nos últimos meses, os meus adversários, Pedro Taques, Janaina Riva, Carlos Fávaro, Jayme Campos, estiveram em Brasília fazendo algumas pressões e anunciando que em breve aconteceria essa famigerada operação”, afirmou.
Segundo Mauro, declarações feitas por adversários políticos antes da deflagração da ação indicariam que eles já tinham conhecimento de uma investigação sigilosa. Ele classificou a operação como uma tentativa de uso político da investigação.
“Uma operação que está dentro do Supremo Tribunal Federal e é considerada sigilosa. Mas os nossos adversários tinham acesso e isso muito antes de acontecer. Eles já falavam sobre isso nos quatro cantos de Mato Grosso”, declarou.
O ex-governador afirmou ainda que a investigação ocorre em um momento estratégico do calendário eleitoral, após movimentos recentes na política estadual, como a rejeição da candidatura de Jayme Campos ao Governo pelo União Brasil, a confirmação de Pedro Taques ao Senado pelo grupo ligado ao PT e Carlos Fávaro, e a articulação de Janaina Riva para compor como vice na chapa de Otaviano Pivetta (Republicanos).
“Há dois dias atrás, Janaina Riva foi recusada como vice do nosso governador Otaviano Pivetta. Logo após o nosso grupo ter rejeitado todo esse povo da velha política que há décadas vem fazendo mal para o nosso Estado, temos uma operação como essa, faltando exatamente 60 dias para as eleições”, disse.
Mauro também negou qualquer irregularidade no acordo firmado pelo Estado com a Oi e afirmou que o processo foi analisado por órgãos de controle antes da homologação judicial.
“Eu não fiz e tenho certeza que o Estado de Mato Grosso, através da nossa Procuradoria, não fez nada de errado e ilegal”, afirmou.
Operação Heritage
A Operação Heritage tem como alvo 31 pessoas, entre elas Mauro Mendes, familiares, aliados políticos, integrantes do Judiciário, empresários e operadores financeiros. A Polícia Federal investiga, em tese, crimes como organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e uso indevido de informação privilegiada. Os investigados negam irregularidades e são considerados inocentes até eventual condenação definitiva.
Segundo a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), todos os investigados estão submetidos a medidas cautelares, entre elas a proibição de manter contato entre si, exceto nos casos de vínculo familiar, recolhimento de passaportes, impedimento de deixar o país, quebra dos sigilos bancário e fiscal e bloqueio de bens.
De acordo com a Polícia Federal, a investigação teve origem na análise de um acordo firmado entre o Estado de Mato Grosso e a Oi S.A., relacionado à restituição de valores decorrentes de uma disputa tributária. A suspeita é de que a operação tenha sido utilizada para desviar mais de R$ 308 milhões dos cofres públicos por meio de uma complexa estrutura financeira formada por fundos de investimento em cascata e empresas interpostas, criada para ocultar a origem e o destino dos recursos.
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