quinta-feira, 6 - agosto 2026 - 18:33



ALVO DA PF

Mauro Carvalho alega que estava fora do governo quando acordo milionário foi fechado; 'não me beneficiei'


Allan Mesquita / Da Redação
Mauro Carvalho
Mauro Carvalho

O secretário-chefe da Casa Civil de Mato Grosso, Mauro Carvalho Junior, afirmou nesta quinta-feira (6) que não participou das tratativas do acordo de R$ 308,8 milhões firmado entre o Governo do Estado e a empresa de telefonia Oi S.A., alvo da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal. O secretário destacou que estava afastado de funções públicas no período em que o processo administrativo tramitou e afirmou que irá comprovar sua inocência e a de sua família.

Mauro Carvalho deixou o comando da Casa Civil em janeiro de 2024 para se dedicar às atividades empresariais e, segundo ele, não ocupava nenhum cargo no Governo de Mato Grosso durante o período em que o acordo foi conduzido, entre dezembro de 2023 e abril de 2024. Ele retornou ao comando da pasta em abril deste ano, após Otaviano Pivetta (Republicanos) assumir o Governo do Estado, depois da saída do ex-governador Mauro Mendes (União), que deixou o cargo para disputar uma vaga ao Senado Federal.

Em nota, Mauro afirmou que, por não estar na estrutura do governo durante a tramitação do processo, não teria qualquer possibilidade de interferir na decisão que resultou no acordo com a Oi.

“Nem eu e nem meus familiares participamos do acordo mencionado na investigação policial. Aliás, no período de dezembro de 2023 a abril de 2024, período em que tramitou o processo de autocomposição, eu não ocupava nenhum cargo público, inclusive no Governo do Estado, de modo que não poderia influenciar absolutamente em nada a decisão de firmar ou não o acordo com a Oi”, declarou.

O secretário também negou que recursos provenientes do acordo tenham sido utilizados em benefício próprio ou de familiares. Segundo Mauro Carvalho, os valores investidos nas empresas das quais possui sociedade com o governador Mauro Mendes têm origem no patrimônio particular e nas atividades do grupo empresarial da família.

“Nenhum recurso originário do acordo firmado com a empresa Oi foi utilizado em benefício próprio ou da minha família. Todo valor aportado pela minha família nas empresas que temos sociedade com Mauro Mendes decorrem de recursos do meu próprio grupo empresarial”, afirmou.

A declaração ocorreu após a Operação Heritage, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), investigar suspeitas envolvendo o acordo firmado entre o Estado e a Oi. A PF apura possíveis crimes como lavagem de dinheiro, peculato, organização criminosa, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e uso indevido de informação privilegiada.

Apesar de ser alvo da operação, Mauro Carvalho não foi afastado do cargo. O ministro Flávio Dino negou o pedido da Polícia Federal para afastar o secretário-chefe da Casa Civil, o procurador-geral do Estado, Francisco de Assis da Silva Lopes, e outros três procuradores. A decisão seguiu manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que apontou ausência de elementos concretos sobre risco de repetição das supostas condutas ou interferência nas investigações.

Segundo a Polícia Federal, a investigação teve início a partir da análise do acordo envolvendo a restituição de valores decorrentes de uma disputa tributária entre o Estado e a empresa de telefonia. A suspeita é de que uma estrutura formada por fundos de investimento e empresas intermediárias tenha sido utilizada para ocultar a origem e a destinação de recursos superiores a R$ 308 milhões.

Ao negar qualquer envolvimento, Mauro Carvalho afirmou confiar no esclarecimento do caso. “Tenho convicção de que, ao final de todo o processo, o caso será esclarecido e a minha inocência e da minha família será comprovada, pois não participei e não me beneficiei do acordo da Oi”, disse.

Operação Heritage

As investigações tiveram origem na análise de um acordo celebrado entre o estado de Mato Grosso e a empresa de telefonia Oi, envolvendo a restituição de valores decorrentes de disputa tributária. Há indícios de que a operação financeira tenha sido utilizada para viabilizar o desvio de recursos públicos superiores a R$ 308 milhões, mediante a utilização de estrutura financeira composta por fundos de investimento em cascata e pessoas jurídicas interpostas, com o objetivo de ocultar e de dissimular a origem, a movimentação e a destinação dos recursos.

Os fatos investigados podem caracterizar, em tese, os crimes de organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e uso indevido de informação privilegiada, sem prejuízo de outras infrações penais que venham a ser identificadas ao longo da investigação.


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