domingo, 8 - novembro 2026 - 07:00



TOQUE NÃO DIMINUI MASCULINIDADE

Médico compara exame de próstata a avaliação da garganta; 'é como abrir a boca'


Jaqueline Gama - Especial para o FatoAgora
Dr. Walid Kalil
Dr. Walid Kalil

O preconceito masculino em relação ao exame de toque retal pode colocar vidas em risco. O alerta foi feito pelo médico urologista Dr. Walid Kalila. Ao abordar a prevenção do câncer de próstata, o especialista defendeu a conscientização e destacou que o diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de cura.

“O toque não vai diminuir a masculinidade de ninguém; pelo contrário, vai salvar a vida”, afirmou o médico ao pedir que os homens deixem de lado o medo e o preconceito em relação ao procedimento.

Nessa semana, o especialista particiou do Tribuna Livre, na Câmara Municipal de Cuiabá. Segundo Walid Kalil, o exame é simples, rápido e fundamental para a avaliação da próstata. Ele comparou o procedimento a outros exames físicos realizados rotineiramente pelos médicos, como a avaliação da garganta e dos ouvidos.

“É como se eu pedisse para você abrir a sua boca para eu examinar a sua garganta”, explicou.

O especialista ressaltou que o toque retal permite avaliar a próstata por meio do reto e dura poucos segundos. Além disso, o procedimento pode ajudar a identificar outras alterações que, muitas vezes, passam despercebidas pelo paciente.

Câncer pode atingir homens mais jovens

Durante a Tribuna Livre, o médico também chamou atenção para os fatores de risco e a importância de iniciar o acompanhamento preventivo na idade adequada.

De acordo com ele, homens negros e aqueles que possuem histórico familiar da doença, especialmente pai ou irmão diagnosticado com câncer de próstata, devem procurar avaliação médica a partir dos 40 anos. A obesidade e hábitos de vida pouco saudáveis também foram citados como fatores que merecem atenção.

“Se eu tenho algum fator de risco importante, como raça negra, pai, irmão ou um parente de primeiro grau que tenha tido a doença, ou sou um homem obeso, fumante, que não tem um estilo de vida tão saudável e estou acima dos 40 anos, já chegou o momento de eu iniciar esse rastreio”, afirmou.

O médico alertou ainda que, embora a doença seja mais frequente em homens mais velhos, também pode atingir pessoas com menos de 40 anos.

Diagnóstico precoce aumenta chances de cura

Walid Kalil destacou que o câncer de próstata apresenta elevada possibilidade de cura quando identificado na fase inicial. Entretanto, a demora na procura por atendimento pode favorecer o avanço da doença e o surgimento de metástases.

“Apesar do câncer de próstata ter 95% de chance de cura se for diagnosticado na fase inicial, hoje nós temos uma estimativa de 78 mil casos e aproximadamente 18.500 mortes. É muito alto”, afirmou.

Segundo o especialista, quando o tumor se espalha para outros órgãos, especialmente os ossos, o tratamento se torna mais complexo e o paciente pode enfrentar dores e sofrimento.

“Infelizmente, a doença na fase avançada vai causar dor e vai causar sofrimento, não só ao paciente, mas à família também”, alertou.

PSA e exames de imagem não dispensam avaliação médica

O médico também explicou que o exame de sangue PSA é uma ferramenta importante para investigar alterações na próstata, mas não deve ser considerado isoladamente.

Segundo ele, a avaliação do urologista é fundamental para definir a necessidade de outros procedimentos, como o toque retal e a biópsia.

Walid Kalil destacou que exames de imagem, como a ressonância multiparamétrica, representam avanços importantes na medicina, mas não descartam completamente a possibilidade de câncer.

“Eu já peguei vários casos de exames bem feitos que mostraram baixa probabilidade de câncer, e eu fiz o diagnóstico do câncer”, relatou.

O especialista explicou que a experiência clínica, o exame físico e os resultados laboratoriais podem indicar a necessidade de aprofundar a investigação, mesmo quando exames de imagem apontam baixo risco.

Walid Kalil defendeu que o Novembro Azul seja utilizado como oportunidade para ampliar a conscientização, mas ressaltou que os cuidados com a saúde masculina precisam ser permanentes.

O médico também destacou a importância da imprensa e das mulheres no combate ao preconceito e na orientação dos homens sobre a prevenção.

“Eu acho que a imprensa tem um papel fundamental nisso: levar cada vez mais ao conhecimento da população”, afirmou.

Para o especialista, superar o medo dos exames e procurar acompanhamento médico são medidas fundamentais para aumentar as chances de diagnóstico precoce e reduzir mortes provocadas pelo câncer de próstata.


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