segunda-feira, 3 - agosto 2026 - 18:57



CRISE DIPLOMÁTICA

Milei volta a chamar Lula de “ladrão” e “corrupto” e amplia crise entre Brasil e Argentina


G1
Presidente Javier Milei
Presidente Javier Milei

O presidente da Argentina, Javier Milei voltou a atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chamou de “ladrão” e “corrupto” durante entrevista concedida à TV argentina LN+ no último domingo (2). As declarações foram feitas uma semana após a visita de Milei ao Brasil e aumentam a tensão diplomática entre os dois países.

Na entrevista, o presidente argentino afirmou que Lula “não é inocente” e voltou a questionar a decisão da Justiça brasileira que anulou as condenações impostas ao petista no âmbito da Operação Lava Jato.

“Ele é um ladrão, um corrupto. Não é inocente. Foi liberado por uma falha no processo jurídico”, declarou Milei.

Ao justificar as falas, o argentino afirmou que “é muito menos grave chamar um ladrão de ladrão do que cometer o ato de roubar” e classificou as declarações como “palavras espontâneas”.

Em 2021, o Supremo Tribunal Federal anulou as condenações de Lula relacionadas aos casos do triplex do Guarujá, do sítio de Atibaia e das doações ao Instituto Lula. A Corte entendeu que a Justiça Federal de Curitiba não tinha competência para julgar os processos e, posteriormente, reconheceu a parcialidade do então juiz Sergio Moro em um dos casos.

As novas declarações ocorrem poucos dias após o governo brasileiro convocar o embaixador da Argentina em Brasília, Daniel Raimondi, para prestar esclarecimentos, além de chamar para consultas o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli. O Ministério das Relações Exteriores classificou o episódio como “sem precedentes”.

Na semana passada, durante um evento político em São Paulo em apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, Milei já havia chamado Lula de “ladrão”, “corrupto”, “presidiário” e “lixo socialista”.

Apesar do agravamento da crise diplomática, Brasil e Argentina mantêm as relações comerciais e institucionais. Até o momento, o governo brasileiro não divulgou uma nova resposta oficial às declarações mais recentes do presidente argentino.


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