- CUIABÁ
- DOMINGO, 17 , MAIO 2026
Moradores do bairro Centro América, em Cuiabá, contestam a versão apresentada pela Polícia Militar sobre o confronto que terminou com a morte de dois jovens, Mateus Guarim da Silva, de 24 anos, e Arthur Victor Lemes Barros Silva, de 22 anos, na noite desta quinta-feira (14). Em mensagens compartilhadas em grupos de moradores, testemunhas afirmam que os rapazes teriam sido executados e negam que tenha havido troca de tiros com os policiais da Força Tática.
Conforme o boletim de ocorrência, equipes da Força Noventa localizaram um VW Polo branco apontado como veículo utilizado em diversos roubos na Capital. Durante a tentativa de abordagem, os ocupantes teriam reagido e efetuado disparos contra os militares, que revidaram. Os dois suspeitos foram baleados e morreram ainda no local. Segundo a PM, os jovens possuíam ligação com facção criminosa e somavam 13 passagens por crimes como roubo, tráfico de drogas e porte ilegal de arma.
No entanto, moradores relataram outra versão nas conversas compartilhadas após a ocorrência. “Mataram dois aqui, a polícia deu tiro neles correndo e tão falando que foi confronto”, escreveu uma moradora. Outra pessoa afirmou que “tem gente que viu que foi a queima roupa”.
Em outra mensagem, moradores afirmam que policiais teriam usado lanternas para tentar ofuscar câmeras de segurança instaladas nas residências próximas ao local. “Policial colocando lanterna na câmera pra tentar ofuscar”, escreveu uma moradora.
“A polícia arrancou as câmeras das casas”, diz outro relato compartilhado no grupo.
Os moradores também acusam os agentes de supostamente alterarem a dinâmica da ocorrência. “Simularam uma situação que não aconteceu”, diz outra mensagem enviada no grupo.
Uma das moradoras ainda afirma que existem áudios gravados no momento da ação policial. “Neste aqui tem o áudio, dá pra notar que a polícia manda eles descerem”, escreveu.
Em outra mensagem, um morador afirma que “dá pra ver nitidamente que a polícia atirou e os guris não estavam armados”. Também houve relatos sobre a intensidade dos disparos. “Foi forte os tiro aqui”, comentou um integrante do grupo. “Parece que o tiro foi dentro de casa”, escreveu outra moradora.
Apesar das acusações feitas por testemunhas, a versão oficial da PM aponta que os suspeitos reagiram à abordagem e estavam armados com um revólver calibre 38 e uma pistola calibre 40. Além das armas, foram apreendidas munições, porções de maconha e R$ 4.483 em dinheiro. O caso é investigado pela Polícia Civil e pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).
A reportagem entrou em contato com a assessoria da Polícia Militar, que informou que toda ocorrência envolvendo confronto é investigada internamente pela corporação.
Veja o vídeo: