- CUIABÁ
- QUINTA-FEIRA, 14 , MAIO 2026
O vice-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado estadual Júlio Campos, defendeu a demissão do ex-deputado estadual Ulysses Moraes (Podemos), que foi alvo de questionamentos por supostamente descumprir o horário de trabalho para gravar vídeos para redes sociais e participar de atos políticos. Ulysses Moraes ocupa cargo comissionado de Superintendente de Gestão Administrativa com salário bruto de R$ 17 mil.
Questionado pelo FatoAgora na manhã desta quarta-feira (13), Júlio afirmou que já discutiu o caso com o presidente da ALMT, Max Russi (Podemos), e criticou a ausência de Ulysses nas dependências da Assembleia. Segundo ele, o cargo exercido pelo ex-deputado exige atuação interna.
“Na última semana, o ex-deputado Ulysses Moraes acabou entrando na polêmica e foi até destaque no Jornal da Gazeta por estar gravando vídeo. Ele é servidor aqui da Casa, fica ruim pra isso porque a população se questiona, ele não deveria estar trabalhando mesmo que ele esteja lotado de uma função externa? Ele não está lotado de função externa, a função dele deveria ser interna, está no cargo de supervisão interna”, declarou.
Na sequência, Júlio Campos afirmou que pode haver outros casos semelhantes dentro do Legislativo estadual e classificou a situação como irregular. “Eu ontem já falei com o presidente Max e cobrei uma posição na Mesa Diretora com relação a essa situação, de que determinados servidores que ganham um salário razoavelmente pouco não estão cumprindo a sua função. Antigamente ele até passava por aqui às quartas-feiras, alguns dias de semana ele estava presente aqui, mas nos últimos tempos desapareceu por completo e se for investigar, tem muita mais gente aqui na Assembleia que lamentavelmente também goza dessas prerrogativas ilegais e morais”, disse.
Dados disponíveis no Portal Transparência da Assembleia Legislativa de Mato Grosso mostram que Ulysses Moraes ocupa cargo comissionado de Superintendente de Gestão Administrativa, com jornada de 40 horas semanais e remuneração mensal de R$ 17.274,69.
Questionado sobre a possibilidade de exoneração do ex-deputado, Júlio foi direto. “Olha, se eu fosse eu presidente, com certeza”.
Cadê Ulysses?
A repercussão se dá diante da reportagem do Jornal A Gazeta, que mostrou que Ulysses Moraes ocupa desde março de 2023 o cargo de Superintendente de Controle Interno de Fiscalização Financeira e Contábil da ALMT. No período, conforme dados do Portal Transparência, ele recebeu mais de R$ 785 mil em salários brutos.
Segundo a publicação, apesar de exercer cargo comissionado no Legislativo, Ulysses mantém intensa atividade política e produção de vídeos nas redes sociais durante dias úteis e horários comerciais, com conteúdos ligados ao bolsonarismo e críticas ao governo federal e movimentos de esquerda.
Ainda de acordo com a reportagem, servidores da Assembleia relataram, sob anonimato, que raramente viam o ex-deputado no local de trabalho. Um deles afirmou ter encontrado Ulysses “cinco ou seis vezes” desde o início da nomeação.
Procurado pela reportagem de A Gazeta, Ulysses Moraes não respondeu aos questionamentos sobre a frequência de trabalho e os benefícios recebidos como servidor comissionado.