segunda-feira, 14 - setembro 2026 - 16:34



PATRIMÔNIO TURBINADO

MP investiga ex-secretário após compra de fazenda milionária em Chapada


Pablo Rodrigo / Jornal A Gazeta
Amauri Monge – Allan Mesquita
Amauri Monge – Allan Mesquita

O Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) solicitou informações à Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) e à Controladoria-Geral do Estado (CGE) sobre eventuais investigações envolvendo o ex-secretário de Educação de Cuiabá, Amauri Monge Fernandes. O órgão apura suspeitas de improbidade administrativa, lesão ao erário e enriquecimento ilícito atribuídas ao ex-gestor.

A apuração ocorre a partir de uma representação que questiona uma possível incompatibilidade entre o patrimônio de Monge e os rendimentos obtidos durante sua atuação na administração pública. A denúncia foi apresentada pelo suplente de deputado estadual Henrique Lopes (PT), com base em reportagens que revelaram a aquisição de uma propriedade rural avaliada em R$ 12,04 milhões, em Chapada dos Guimarães.

A propriedade, denominada Fazenda Quilombinho 2, foi adquirida em 2022 em nome da empresa BGA Serviços ME, representada por Bruno Frezzarin Andrade Monge Fernandes, filho do ex-secretário. Posteriormente, o nome de Amauri Monge passou a constar no Cadastro Ambiental Rural (CAR) da propriedade.

Inicialmente, a representação foi protocolada no Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT). Ao analisar o caso, o conselheiro Alisson Alencar decidiu pelo não seguimento da denúncia por questões regimentais e por entender que a Corte de Contas não possui competência para realizar fiscalização genérica sobre a evolução patrimonial privada de agentes públicos.

Apesar disso, o relator determinou o encaminhamento integral dos autos ao Ministério Público, para que fossem adotadas as providências cabíveis nas esferas cível e criminal. Com o recebimento da documentação, o MP-MT instaurou procedimento próprio para apurar os fatos.

Em despacho assinado em 2 de setembro, o Ministério Público determinou a expedição de ofícios aos órgãos de controle e de investigação policial. À CGE, foi solicitada informação sobre a existência de eventual Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) contra Amauri Monge relacionado a atos lesivos ao patrimônio público ou possíveis atos de improbidade.

Já à Deccor, o MP requisitou informações e cópias de eventuais inquéritos em andamento na Polícia Civil relacionados aos fatos apresentados na representação.

Trajetória na Educação

Amauri Monge ocupou cargos estratégicos na área da educação pública em Mato Grosso. Ele foi secretário-adjunto executivo da Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) entre novembro de 2020 e fevereiro de 2024, quando deixou a função.

Em 2025, assumiu a Secretaria Municipal de Educação de Cuiabá (SME) durante a gestão do prefeito Abilio Brunini (PL). Ele permaneceu no cargo até abril deste ano, quando deixou a pasta.

O MP ainda não concluiu a apuração, e as solicitações à CGE e à Deccor fazem parte da fase de levantamento de informações sobre os fatos.


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