quinta-feira, 3 - setembro 2026 - 14:28



DIÁLOGO COM O AGRO

Natasha nega resistência do agro à esquerda e aposta em diálogo com setor produtivo em MT


Allan Mesquita/ Da Redação
Natasha Slhessarenko
Natasha Slhessarenko

A candidata ao Governo de Mato Grosso Natasha Slhessarenko (PSD) afirmou que não percebe resistência do setor produtivo à sua candidatura por ela representar o campo de esquerda e defendeu a criação de uma Secretaria de Agricultura e Pecuária no Estado. A declaração foi dada nesta quinta-feira (3), durante sabatina com representantes do agronegócio, da indústria, do comércio e do turismo, em Cuiabá.

Questionada sobre uma possível resistência do agronegócio a candidaturas de esquerda e centro-esquerda, Natasha negou ter percebido qualquer tipo de rejeição durante sua aproximação com o setor.

“Olha, sinceramente, eu não sinto [resistência]. Não sinto”, afirmou.

A candidatura de Natasha é apoiada por partidos do campo progressista. Ela foi oficializada ao governo pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, em aliança com PSD, PSB, PDT, PSOL e Rede. A articulação colocou a médica como a principal representante desse campo político na disputa pelo Palácio Paiaguás.

A relação entre a esquerda e o agronegócio, porém, é historicamente marcada por divergências, especialmente em Mato Grosso, principal estado produtor de commodities agrícolas do país. Durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), integrantes do próprio setor reconheceram a existência de resistência, embora também tenham apontado uma tentativa de reaproximação entre o governo federal e os produtores.

Em fevereiro, o então ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD), afirmou que o distanciamento entre o agronegócio e o governo Lula havia diminuído e que “a resistência do setor diminuiu” após a reconstrução de pontes com o segmento.

Secretaria para a agricultura

Em entrevista à imprensa, Natasha também defendeu a criação de uma estrutura específica para tratar das demandas do agronegócio em Mato Grosso. A proposta ocorre no mesmo debate levantado por outros candidatos sobre a necessidade de uma secretaria voltada à agricultura.

“Sem sombra de dúvidas, minha gente, nós somos o celeiro do mundo. Nós exportamos. Se fosse um país, seria o terceiro país maior produtor de soja. 73% do algodão é produzido aqui. Cara, nós precisamos ter uma secretaria voltada para isso”, afirmou.

A candidata, porém, disse que a eventual criação da pasta não poderia representar apenas o aumento da máquina pública. Segundo ela, a secretaria precisaria ter orçamento e metas para funcionar de maneira eficiente.

“Não uma secretaria só para ser cabide de emprego. Não, nós precisamos ter eficiência”, declarou.

A proposta apresentada por Natasha é de uma Secretaria de Agricultura e Pecuária, com atuação voltada ao setor produtivo e construída a partir do diálogo com os representantes da área.

Qualificação profissional

Outro ponto destacado pela candidata durante o encontro foi a necessidade de ampliar a qualificação da mão de obra em Mato Grosso. Segundo Natasha, essa foi uma das principais reclamações apresentadas pelos representantes dos setores produtivos durante a sabatina.

Ela defendeu a participação de instituições como Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) e do Sistema S na formação profissional.

A proposta, segundo ela, seria adaptar os cursos às características econômicas de cada município.

“É para o turismo, então vamos fazer cursos voltados para o turismo. É uma vocação agrícola, então vamos fazer cursos para essa área”, afirmou.

Incentivos fiscais

Natasha também declarou ser favorável à concessão de incentivos fiscais para atrair empresas e investimentos ao Estado, mas defendeu que os benefícios tenham prazo e contrapartidas definidos.

“Eu sou a favor do incentivo fiscal para que a gente atraia as empresas para cá, mas é importante que o incentivo fiscal tenha começo, meio e fim”, disse.

Segundo a candidata, o Estado também precisa avaliar o retorno dos benefícios concedidos, considerando fatores como geração de empregos e desenvolvimento local.

A sabatina foi promovida pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt) e Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-MT).

Veja vídeo:


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