- CUIABÁ
- SEXTA-FEIRA, 26 , JUNHO 2026
A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) descartou a hipótese de incêndio criminoso no galpão da Secretaria Municipal de Educação de Várzea Grande e concluiu que o fogo teve início de forma acidental, após um fenômeno termoelétrico na fiação localizada na parte superior de uma câmara fria utilizada para armazenar alimentos congelados.
O incêndio, registrado na noite de 17 de junho, destruiu o prédio onde funcionavam a Gerência de Patrimônio e a Superintendência Operacional do Sistema Escolar. No espaço eram armazenados alimentos, mobiliários, equipamentos e materiais que seriam distribuídos às escolas da rede municipal.
Segundo a Politec, a conclusão foi baseada na análise de vestígios coletados no local, imagens de câmeras de segurança das imediações e depoimentos de testemunhas. Os peritos também utilizaram drones para inspecionar toda a estrutura atingida pelo incêndio.
De acordo com o perito criminal Augusto César de Figueiredo, embora tenha sido possível identificar o ponto de origem do fogo, não foi possível determinar o que provocou o fenômeno termoelétrico. Entre as possibilidades estão sobrecarga elétrica, curto-circuito ou descarga elétrica contínua.
“Tudo iniciou-se com o fenômeno termoelétrico que ocorreu na parte superior da câmara fria de congelados, e se propagou para o prédio todo. Na parte de trás da edificação, as chamas rapidamente atingiram dois veículos estacionados muito próximos à câmara, que possuem elevada carga térmica, facilitando ainda mais a propagação do incêndio. A grande quantidade de material combustível armazenado no prédio também contribuiu para a dimensão dos danos”, explicou o perito.
‘Queima de arquivo’
A conclusão da perícia ocorre após o incêndio ganhar repercussão política. Ainda durante o combate às chamas, o vereador Wender Madureira (Republicanos) publicou um vídeo afirmando considerar “muita coincidência” o fato de o galpão pegar fogo poucos dias depois de uma fiscalização realizada por ele e pelo vereador Feitoza (PSB).
Na inspeção, os parlamentares disseram ter encontrado livros didáticos adquiridos em anos anteriores, cerca de 10 mil uniformes escolares da gestão passada, além de outros materiais armazenados no depósito. Segundo Wender, a Secretaria de Educação não apresentou documentos solicitados durante a diligência, o que motivou o registro de um boletim de ocorrência.
Após o incêndio, o vereador chegou a levantar a hipótese de uma possível “queima de arquivo” e cobrou investigação rigorosa sobre as causas do fogo.