- CUIABÁ
- SÁBADO, 20 , JUNHO 2026
O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) subiu o tom neste sábado (20) ao criticar a atuação do Governo Federal na liberação de obras de infraestrutura em Mato Grosso. Durante a inauguração da primeira etapa da Ferrovia Estadual Senador Vicente Emílio Vuolo, em Dom Aquino, o chefe do Executivo classificou como “crime” a demora do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) na concessão de licenças para empreendimentos considerados estratégicos para o Estado.
Ao defender o modelo que permitiu a construção da primeira ferrovia estadual do país, Pivetta afirmou que a obra só saiu do papel porque o licenciamento foi conduzido pelo Estado e não pelo órgão federal.
“Essa é a primeira ferrovia estadual do Brasil e só saiu porque é estadual, porque foi a Sema que licenciou. Se fosse o Ibama, não saía. Olha a estrada de Chapada. Estamos há três anos esperando uma licença do Ibama. É um crime que o Governo Federal faz contra Mato Grosso. É impossível aguentar, é um desaforo”, disparou.
A declaração foi dada após a cerimônia que contou com a presença do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), que participou da cerimônia de inauguração ao lado de autoridades estaduais e federais.
Além das críticas à burocracia ambiental, Pivetta também apontou a política econômica nacional como um dos principais entraves para novos investimentos em infraestrutura. Segundo ele, as taxas de juros atualmente praticadas no país comprometem a viabilidade de projetos de longo prazo.
“O Brasil gasta mais do que arrecada e toma dinheiro no mercado. Com juros de 15% ao ano é impossível qualquer investimento de longo prazo ter viabilidade”, afirmou.
Apesar das dificuldades, o governador garantiu que o Estado cobrará o cumprimento do contrato firmado com a concessionária Rumo, que prevê a extensão dos trilhos até Cuiabá e Lucas do Rio Verde.
“Nós temos um contrato com a Rumo e vamos cobrar. O contrato prevê que a ferrovia chegue a Cuiabá e siga até Lucas do Rio Verde. As dificuldades existem, mas o compromisso está assinado”, declarou.
Pivetta reconheceu que a empresa enfrenta um cenário econômico diferente daquele existente quando o projeto foi concebido. Segundo ele, os investimentos foram planejados em um ambiente de juros próximos de 4% ao ano, enquanto atualmente o custo do dinheiro supera os 15%.
Mesmo assim, demonstrou confiança na continuidade da expansão ferroviária e defendeu mudanças na condução das contas públicas federais para reduzir os juros e estimular novos investimentos.
“O Mato Grosso fez seu dever de casa. Organizamos o Estado, fizemos saneamento fiscal e mantivemos capacidade de investimento. O Brasil precisa seguir o mesmo caminho”, concluiu.
A obra
A Ferrovia Estadual Senador Vicente Emílio Vuolo recebeu mais de R$ 5 bilhões em investimentos privados e terá mais de 700 quilômetros de extensão quando estiver concluída. A primeira etapa entregue neste sábado possui 162 quilômetros entre Rondonópolis e Dom Aquino.
O projeto conta com financiamento de R$ 2 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e integra a estratégia de ampliação da logística de escoamento da produção agrícola mato-grossense. A expectativa é reduzir custos de transporte e retirar milhares de caminhões das rodovias do Estado.