terça-feira, 21 - julho 2026 - 08:40



R$ 1,1 MILHÃO

Servidora perde R$ 1,1 milhão após ser enganada por colega; PM e servidores são investigados


Da Redação / FatoAgora

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta terça-feira (21), a Operação Laço Oculto para desarticular um esquema de extorsão que causou prejuízo superior a R$ 1,1 milhão a uma servidora pública estadual. Ao todo, são cumpridas 14 ordens judiciais em Cuiabá e Várzea Grande, incluindo mandados de busca e apreensão, sequestro de bens e bloqueio de ativos financeiros que, somados, podem ultrapassar R$ 3,3 milhões.

Entre os alvos estão servidores públicos ligados à Secretaria de Estado de Saúde (SES), um policial militar e outras pessoas apontadas como integrantes do fluxo financeiro investigado. A Corregedoria da Polícia Militar acompanha o cumprimento das ordens. Embora a vítima e alguns investigados sejam vinculados à SES, a secretaria não é investigada e colaborou com as apurações.

Segundo a Polícia Civil, a vítima foi submetida, entre 2022 e 2025, a um processo contínuo de intimidação e manipulação psicológica por uma colega de trabalho. A suspeita teria inventado uma história de dívidas com agiotas e afirmado que criminosos ameaçavam matar a vítima e seus familiares caso os pagamentos não fossem feitos.

Convencida de que corria risco, a servidora passou a realizar sucessivas transferências de dinheiro para a colega, acreditando que os valores seriam usados para quitar a suposta dívida. Para isso, fez empréstimos, utilizou cartões de crédito, resgatou recursos da previdência privada, gastou dinheiro reservado para a construção da casa e até financiou, em seu próprio nome, uma caminhonete destinada ao marido da investigada.

O esquema só foi descoberto quando o marido da vítima percebeu o estado emocional da esposa, interrompeu o contato com a suspeita e procurou a Polícia Civil.

As investigações apontaram que a vítima transferiu R$ 1.132.680 diretamente para a conta da colega de trabalho. A quebra do sigilo bancário revelou que parte do dinheiro foi repassada para outras pessoas ligadas ao grupo investigado. Os policiais também identificaram movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada dos suspeitos, além de saques frequentes em dinheiro e indícios do uso de “laranjas” para ocultação patrimonial.

Além de reunir provas sobre a participação de cada investigado, a Operação Laço Oculto busca recuperar os valores desviados e aprofundar as apurações sobre possíveis crimes de agiotagem e lavagem de dinheiro.


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