terça-feira, 30 - junho 2026 - 06:50



TECNOLOGIA

Supercomputador chinês supera modelos dos EUA em ranking


Bandeiras dos EUA e da China à frente de semicondutores em foto de ilustração
Bandeiras dos EUA e da China à frente de semicondutores em foto de ilustração

A China assumiu a liderança do ranking dos supercomputadores mais potentes do mundo, ultrapassando os Estados Unidos pela primeira vez desde 2017, segundo a mais recente atualização do Top500, lista que classifica os sistemas de maior capacidade computacional do planeta.

O novo líder é o LineShine, instalado no Centro Nacional de Supercomputação, em Shenzhen. O equipamento substituiu o norte-americano El Capitan, do Laboratório Nacional Lawrence Livermore, na Califórnia, que agora ocupa a segunda posição.

Desempenho superior no ranking

De acordo com o levantamento divulgado na terça-feira (23), o supercomputador chinês alcançou desempenho cerca de 20% superior ao sistema norte-americano no benchmark utilizado pelo Top500.

O ranking é atualizado semestralmente e mede a capacidade de processamento dos sistemas em tarefas de alta complexidade, como simulações científicas, previsão climática, desenvolvimento de medicamentos e treinamento de modelos de inteligência artificial.

Disputa tecnológica entre potências

A liderança chinesa ocorre em meio à intensificação da disputa tecnológica com os Estados Unidos, que vêm restringindo o acesso da China a tecnologias avançadas, especialmente chips de alto desempenho utilizados em sistemas de inteligência artificial.

O LineShine se destaca por utilizar exclusivamente CPUs desenvolvidas no país, em vez das tradicionais GPUs dominadas por fabricantes norte-americanos. Segundo o Centro Nacional de Supercomputação da China, o sistema representa um avanço na construção de uma infraestrutura tecnológica independente.

Mudança de arquitetura e inovação

Durante apresentação em Hamburgo, na Alemanha, o engenheiro-chefe do projeto, Lu Yutong, afirmou que o sistema rompe com modelos híbridos tradicionais ao utilizar uma arquitetura totalmente baseada em tecnologia doméstica, incluindo processadores e memória de alta largura de banda.

O supercomputador já é utilizado em áreas como modelagem climática, engenharia, neurociência e pesquisa em inteligência artificial.

Debate sobre o ranking

Especialistas, no entanto, alertam que o Top500 não reflete necessariamente a liderança em inteligência artificial, já que se baseia em testes voltados à computação científica tradicional.

Segundo pesquisadores do setor, muitos sistemas avançados de IA não entram na lista por questões de sigilo ou por não serem projetados para esse tipo de avaliação.

Além dos Estados Unidos e da China, países como Alemanha, Japão, Itália e Suíça também aparecem entre os dez primeiros colocados do ranking.


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