- CUIABÁ
- SEXTA-FEIRA, 8 , MAIO 2026
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) indeferiu o pedido do promotor de eventos e ex-servidor da Câmara de Cuiabá, Rodrigo de Souza Leal, para viajar ao município de Sorriso com o objetivo de trabalhar em um evento de aniversário da cidade.
Condenado a 10 anos e 9 meses de prisão pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa, Rodrigo cumpre pena em regime semiaberto, com uso de tornozeleira eletrônica.
A decisão foi assinada pelo desembargador Paulo Sérgio Carreira de Souza e publicada na última segunda-feira (15). Ao analisar o pedido, o magistrado destacou a ausência de documentos que comprovassem a necessidade da viagem para fins profissionais, ressaltando que a simples alegação não é suficiente para flexibilizar as condições impostas pela Justiça.
“A mera alegação desacompanhada de prova documental é insuficiente, sobretudo em processo que envolve condenação por crimes de organização criminosa e lavagem de capitais, delitos de elevada gravidade”, afirmou o desembargador.
O magistrado também lembrou que, em janeiro deste ano, o mesmo condenado recebeu autorização para participar de um evento religioso, ocasião em que apresentou a documentação necessária.
Desta vez, no entanto, o pedido foi negado diante da falta de comprovação da atividade profissional e da gravidade dos crimes pelos quais foi condenado.
“Ante o exposto, indefiro o pedido de autorização de viagem formulado por Rodrigo de Souza Leal”, concluiu.
Rodrigo Leal foi um dos alvos da Operação Ragnatela, deflagrada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) em junho do ano passado.
As investigações apontam a existência de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas, que utilizava casas noturnas e a realização de eventos musicais como forma de ocultar os recursos ilícitos. Entre os estabelecimentos citados está o antigo Dallas Bar.
Segundo a investigação, o grupo era liderado por Joadir Alves Gonçalves, conhecido como “Jogador”. Os valores oriundos do tráfico teriam sido investidos na compra de casas noturnas e na promoção de eventos.
O dinheiro passaria por intermediários, entre eles Willian Aparecido da Costa Pereira, o “Gordão”, apontado como proprietário do antigo Dallas Bar, e posteriormente seria repassado a promotores de eventos para custear apresentações musicais.
Em setembro de 2024, a Ficco deflagrou a segunda fase da operação, denominada Pubblicare, que teve como um dos alvos o ex-vereador de Cuiabá Paulo Henrique, acusado de atuar na liberação de licenças para eventos em casas noturnas em troca de vantagens financeiras.