- CUIABÁ
- TERÇA-FEIRA, 21 , JULHO 2026
A juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, rejeitou um novo pedido da defesa de Carlos Alberto Gomes Bezerra para adiar o julgamento pelo Tribunal do Júri, previsto para esta terça-feira (21), às 9h, no Fórum de Cuiabá. A decisão foi publicada nesta segunda-feira (20) e mantém tanto a realização da sessão quanto a prisão preventiva do réu.
Os advogados alegaram que tiveram acesso a parte dos processos relacionados ao caso apenas nos últimos dias e solicitaram a suspensão do julgamento por mais 10 dias úteis para analisar arquivos digitais. A defesa também sustentou que houve demora na disponibilização de documentos que tramitam sob sigilo.
Ao analisar o pedido, a magistrada concluiu que não houve qualquer irregularidade capaz de comprometer o direito de defesa. Segundo ela, os advogados já tinham conhecimento da existência dos processos e poderiam ter requerido acesso aos documentos dentro do prazo legal, não sendo possível atribuir à Justiça a responsabilidade pela situação.
A juíza ainda ressaltou que um dos processos mencionados pela defesa foi anexado integralmente aos autos pelo Ministério Público no último dia 14 de julho, enquanto os arquivos digitais estavam disponíveis desde 7 de julho, período considerado suficiente para análise do material.
Na decisão, Mônica Perri afirmou que a defesa não demonstrou prejuízo concreto ao exercício da ampla defesa e entendeu que os requerimentos apresentados tinham caráter meramente protelatório. Além disso, destacou que o habeas corpus ainda pendente de julgamento no Tribunal de Justiça de Mato Grosso não impede a realização do Tribunal do Júri.
Com isso, o julgamento está confirmado para a manhã desta terça-feira (21).
Carlos Alberto Gomes Bezerra, filho do ex-deputado federal Carlos Bezerra, é réu confesso e responde preso pelos assassinatos da ex-companheira, Thays Machado, e do namorado dela, Willian Cesar Moreno. Conforme denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), o crime foi motivado pela inconformidade do acusado com o fim do relacionamento.
O MPMT sustenta que Thays foi vítima de feminicídio qualificado por motivo torpe, praticado com extrema violência e sem qualquer possibilidade de defesa. Já pela morte de Willian, Carlos Bezerra foi denunciado por homicídio qualificado por motivo torpe, emprego de meio cruel e recurso que dificultou a reação da vítima.
Segundo a acusação, o duplo homicídio foi premeditado e executado em plena luz do dia, em uma área de grande circulação de pessoas, com o uso de uma pistola semiautomática. O Ministério Público também aponta que o crime ocorreu em contexto de violência doméstica e de gênero, motivado pelo inconformismo do réu com o término da relação.