sexta-feira, 23 - janeiro 2026 - 14:07



Argumento de Trump sobre Groenlândia é como de Putin sobre Ucrânia


Reprodução
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A primeira reunião entre representantes dos Estados Unidos, Rússia e Ucrânia ocorreu nesta sexta-feira (23), marcando um momento histórico após quase quatro anos de conflito. O encontro, realizado em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, representa um avanço diplomático significativo, uma vez que atendia a uma antiga reivindicação do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que até então não havia se concretizado.

Para Marcus Vinicius de Freitas, professor de Relações Internacionais da China Foreign Affairs, um dos pontos centrais do atual cenário é a semelhança entre os argumentos utilizados pelo ex-presidente norte-americano Donald Trump e pelo presidente russo Vladimir Putin. Segundo ele, ambos recorrem à justificativa da segurança territorial.

“O que temos observado é que a questão envolvendo a Groenlândia segue a mesma lógica utilizada por Putin em relação à Ucrânia: a alegação de que é necessário garantir determinado território para impedir que ele integre alianças estratégicas, sob o argumento de defesa”, explicou o especialista.

De acordo com Freitas, os obstáculos para uma solução do conflito permanecem relevantes. Entre eles está o fato de que Putin questiona a legitimidade constitucional de Zelensky como presidente da Ucrânia, enquanto o líder ucraniano se recusa a dialogar com o presidente russo em razão da ofensiva militar que tem devastado o país desde 2022.

O professor também destacou a postura dos Estados Unidos em relação à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Segundo ele, Trump tem demonstrado pouco interesse em manter o apoio à aliança, avaliando que a Europa já não oferece os retornos econômicos esperados para Washington.

Operações militares fortalecem posição americana

Freitas ressaltou ainda que recentes operações militares conduzidas pelos Estados Unidos contribuíram para fortalecer a posição americana nas negociações internacionais. Entre os exemplos citados estão o ataque a instalações nucleares do Irã, batizado de “Martelo da Meia-Noite”, e a operação realizada na Venezuela com o objetivo de capturar Nicolás Maduro.

Segundo o especialista, essas ações conferiram a Trump “uma musculatura muito importante” no cenário global, reforçando sua atuação como uma espécie de “xerife do mundo”.

O professor destacou que o ex-presidente norte-americano se sente politicamente fortalecido após essas operações. Ele lembrou que, durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, Trump afirmou que equipamentos militares chineses e russos não conseguiram acompanhar a capacidade de mobilização das forças armadas dos Estados Unidos, o que colocaria o país em posição de vantagem nas negociações envolvendo o conflito ucraniano.


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