- CUIABÁ
- QUARTA-FEIRA, 11 , FEVEREIRO 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone, na manhã desta segunda-feira (26), com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Durante o diálogo, Lula sugeriu que Trump incluísse um assento para a Palestina no Conselho da Paz — colegiado idealizado, criado e presidido pelo norte-americano — e defendeu que o grupo se restrinja às discussões relacionadas à Faixa de Gaza.
O conteúdo da conversa foi divulgado pelo Palácio do Planalto em nota oficial. Segundo o governo brasileiro, Lula também reiterou a necessidade de uma reforma ampla na Organização das Nações Unidas (ONU), com a ampliação do número de membros permanentes do Conselho de Segurança.
Lula foi um dos líderes convidados a integrar o Conselho da Paz, mas ainda não respondeu formalmente ao convite. Na semana passada, durante evento em Salvador, o presidente brasileiro chegou a fazer críticas à proposta, afirmando que Trump buscaria criar uma espécie de “nova ONU” sob sua liderança.
Venezuela e segurança
Na ligação, os dois presidentes também trataram da situação na Venezuela. Lula voltou a defender a manutenção da paz no continente e propôs o fortalecimento da cooperação bilateral no combate ao crime organizado.
De acordo com o Planalto, o presidente brasileiro manifestou interesse em ampliar a parceria entre os países na repressão à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas, além do congelamento de ativos de organizações criminosas e do intercâmbio de informações sobre transações financeiras. A proposta, segundo a nota, foi bem recebida por Trump.
Relações econômicas
Lula e Trump ainda discutiram o estreitamento das relações entre Brasil e Estados Unidos e os reflexos positivos dessa aproximação na economia. O presidente norte-americano destacou que o crescimento econômico de ambos os países é benéfico para toda a região.
“O presidente Trump afirmou que o crescimento econômico dos Estados Unidos e do Brasil é positivo para a região como um todo. Ambos saudaram o bom relacionamento construído nos últimos meses, que resultou no levantamento de parte significativa das tarifas aplicadas a produtos brasileiros”, informou o Planalto.
Os dois líderes se encontraram pessoalmente pela primeira vez em setembro, durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, em um rápido cumprimento. Na ocasião, Trump afirmou ter tido uma “química excelente” com Lula. Um novo encontro ocorreu em outubro, à margem da 47ª Cúpula da Asean, na Malásia, quando mantiveram uma reunião classificada como “muito positiva” pelo chanceler brasileiro, Mauro Vieira. No mês seguinte, os Estados Unidos retiraram uma sobretaxa de 40% sobre diversos produtos brasileiros.
A conversa telefônica durou cerca de 50 minutos e resultou no acerto de uma visita de Lula aos Estados Unidos. Ainda não há data definida, mas a viagem deve ocorrer após os compromissos internacionais do presidente brasileiro na Índia e na Coreia do Sul, previstos para fevereiro.