sexta-feira, 30 - janeiro 2026 - 17:27



Oriente Médio

Aumenta tensão entre Irã e EUA


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A escalada de ameaças entre Estados Unidos e Irã elevou a tensão no Oriente Médio e acendeu alertas no mercado internacional de petróleo, com potencial impacto sobre economias de diversos países da região.

A Casa Branca deslocou para o Oriente Médio o porta-aviões Abraham Lincoln, um dos maiores do arsenal norte-americano, e passou a ameaçar Teerã com ataques “muito mais severos” do que os realizados em junho de 2025, caso o país não aceite negociar um acordo que impeça o desenvolvimento de armas nucleares.

No ano passado, forças dos Estados Unidos e de Israel bombardearam instalações militares e nucleares em território iraniano. Em resposta, o Irã lançou mísseis contra alvos em Israel. Em publicações nas redes sociais na quarta-feira (28), o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que “o tempo está se esgotando”.

Por sua vez, segundo a mídia estatal iraniana, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, negou ter solicitado negociações ou mantido contato com o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff.

Estreito de Ormuz

Nesta quinta-feira (29), autoridades iranianas emitiram um alerta à navegação marítima no Estreito de Ormuz, na saída do Golfo Pérsico, informando a realização de exercícios militares na principal rota por onde circula cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo.

O eventual fechamento do estreito chegou a ser cogitado como retaliação aos ataques do ano passado e é apontado por analistas como um dos principais riscos econômicos decorrentes do aumento das tensões na região. O Irã detém a terceira maior reserva de petróleo do planeta e é o quinto maior produtor mundial. Além disso, outros membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Kuwait, também dependem da passagem pelo Golfo Pérsico.

Economistas ouvidos pela agência Reuters afirmam que apenas a “possibilidade de o Irã ser atingido” já elevou o preço do barril em até quatro dólares no mercado internacional.

Protestos internos

A pressão sobre o regime iraniano também se intensificou no início de 2026, com o aumento de protestos contra o governo teocrático instalado desde a Revolução Islâmica de 1979. Confrontos entre manifestantes e forças de segurança deixaram mais de 6 mil mortos, segundo organizações de direitos humanos, que também contabilizam mais de 40 mil presos. O governo iraniano, por sua vez, reconhece cerca de 3 mil mortes e classifica parte das vítimas como terroristas.

Além da repressão política, os protestos refletem insatisfação com o alto custo de vida, agravado pelas sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos e aliados. Teerã atribui as manifestações à interferência estrangeira e respondeu com repressão severa, incluindo o bloqueio do acesso à internet.

Fontes da Reuters indicam que Trump avalia opções como ataques direcionados às forças de segurança e a líderes do regime, na tentativa de estimular a derrubada do governo iraniano. Em resposta, o Irã ameaça atacar bases norte-americanas em países vizinhos, como Catar e Bahrein, em caso de intervenção.

A repressão aos protestos também provocou reação na Europa. Nesta semana, países europeus aprovaram novas sanções contra autoridades e instituições iranianas e passaram a classificar a Guarda Revolucionária do Irã como organização terrorista.

“Quem age como terrorista deve ser tratado como terrorista”, afirmou a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas. Segundo ela, “qualquer regime que mata milhares de pessoas do próprio povo trabalha para a própria queda”.

Mapa Estreito de Ormuz

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