quinta-feira, 29 - janeiro 2026 - 18:39



'INSTITUIÇÃO CONCEITUADA'

Moretti defende empresa após queixas em seletivo da Educação em VG


Allan Mesquita / Da Redação
Flávia Moretti – Allan Mesquita
Flávia Moretti – Allan Mesquita

A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), defendeu a empresa Selecon Instituto Nacional de Seleções e Concursos, responsável pela realização do processo seletivo da rede municipal de Educação, alvo de denúncias por supostas falhas.

Ao comentar as queixas, a prefeita minimizou as críticas e afirmou que reclamações são comuns em processos seletivos, reforçando a confiança na empresa contratada pela prefeitura. As declarações ocorreram na terça-feira (27), antes de o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) cobrar oficialmente explicações do município sobre as irregularidades apontadas.

“Olha, eu falo que seletivo, concurso, sempre cabe, sempre tem reclamações de um do outro, daqueles uns que reclamam, outros que são positivos. A empresa que fez o seletivo, a Selecon, ela é uma empresa conceituada, faz no estado inteiro, no Brasil todo, então ela tem esse know-how de fazer, de efetivar, de conduzir tanto as provas, as seleções, a documentação, então eu confio na empresa, é uma terceirizada da prefeitura e eu acho que essas reclamações, esses ajustes, as pessoas consignando esses interesses pontuais, é uma questão de tempo e vai ser sanado”, declarou.

Grande parte das reclamações envolve a ausência de notificações formais por e-mail e a dificuldade de acompanhar o andamento do processo pelo site da banca organizadora. Candidatos afirmam que o sistema apresenta apenas status genéricos, como “finalizado” ou “encerrado”, sem detalhar se a documentação foi aprovada, se há pendências ou se o candidato está apto à lotação em unidades escolares.

Moretti pontuou que parte dos candidatos enfrenta dificuldades para operar os sistemas digitais, mas defendeu a modernização dos processos administrativos.

“Agora é claro que nós temos várias pessoas que também não conseguem acessar, conseguem operar com a parte informática, tecnológica, de encaminhamento, mas nós estamos numa outra era, na era digital, e na era digital é que nós temos que avançar. (…) Nós temos que deixar de ser, eu falo assim, Várzea Grande tem que deixar de ser um bairro e ser a segunda maior cidade do estado, então nós temos que evoluir, crescer, capacitar as pessoas até para fazer esse tipo de procedimento que é parte digital”, afirmou.

Moretti disse ter se reunido com o secretário municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, Igor da Cunha Gomes da Silva, para tratar do assunto, mas evitou fazer apontamentos mais profundos antes de apuração interna.

“Eu tive uma reunião ontem com o secretário Igor, eu pedi para eles ver as providências, ver o que estava acontecendo. Só que a empresa que fez o processo foi uma empresa muito séria, muito contínua, muito transparente, de excelência de moral e experiência na área dos processos seletivos e concursos. (…) Se for necessário ser apurado, vai ser apurado, os trabalhos vão ser revistos e resolvidos”, disse.

Cobrança do MP

Dois dias depois das declarações da prefeita, a 1ª Promotoria de Justiça Cível de Várzea Grande deu prazo de 48 horas para que o município explique as denúncias de irregularidades no processo seletivo da Educação. A medida foi expedida na quinta-feira (29) e tramita em caráter de urgência, já que o início do ano letivo está previsto para o dia 3 de fevereiro.

As investigações tiveram início após reportagens apontarem falhas na convocação e na designação dos candidatos aprovados para as unidades escolares. Conforme o MPMT, foram constatadas ausência de comunicação oficial, indefinições sobre lotação e inconsistências no sistema online.

A promotora de Justiça Taiana Castrillon Dionello destacou que o caso seguirá com tramitação urgente devido ao risco de prejuízos às atividades escolares e aos profissionais aprovados. “A integridade do processo seletivo e o início regular do ano letivo são prioridades absolutas. Diante de indícios consistentes de falhas na convocação e na designação dos aprovados, o Ministério Público age para garantir transparência, organização e respeito aos direitos dos candidatos e dos estudantes da rede municipal”, afirmou a promotora.


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