sexta-feira, 6 - fevereiro 2026 - 21:48



Separação vira disputa milionária

Justiça rejeita coação e mantém cobrança milionária


Taiza Tosatt Eleoterio da Silva cumpre medidas cautelares após ser alvo da Operação Cleópatra
Taiza Tosatt Eleoterio da Silva cumpre medidas cautelares após ser alvo da Operação Cleópatra

O juiz Yale Sabo Mendes, da 7ª Vara Cível de Cuiabá, negou recurso apresentado pela empresária Taiza Tosatt Eleotério da Silva, que buscava o arquivamento de uma ação judicial movida por seu ex-marido, o ex-policial federal Ricardo Mancinelli Souto Ratola, para a cobrança de uma dívida de R$ 500 mil. A decisão foi publicada nesta sexta-feira (6).

Taiza e Ricardo também figuram como réus em uma ação penal que apura um suposto esquema de pirâmide financeira, com prejuízos a vítimas em diversas regiões do país.

No recurso, a empresária alegou que a confissão da dívida foi assinada sob “coação moral irresistível, violência psicológica e abuso de direito”, em meio ao processo de separação conjugal. Sustentou ainda que o acordo deveria ser invalidado em razão do contexto emocional e das circunstâncias pessoais à época.

Ao analisar o caso, entretanto, o magistrado entendeu que não houve comprovação de coação capaz de anular o título executivo. Segundo o juiz, as mensagens, áudios e vídeos apresentados pela defesa demonstram apenas conflitos comuns em processos de separação, sem evidenciar ameaça grave ou pressão ilegítima.

“As provas apresentadas pela embargante (mensagens de texto, áudios e vídeos) não são suficientes para demonstrar, de forma inequívoca, a existência de coação moral irresistível no momento da assinatura do título executivo”, destacou o magistrado.

O juiz também rejeitou o argumento de que a dívida teria sido perdoada ou substituída por novos acordos, após pagamentos realizados pela empresária. De acordo com a decisão, não há provas de que os valores pagos tenham sido destinados à quitação ou renegociação da obrigação financeira.

“Os áudios juntados pela embargante, nos quais a advogada relata conversas com o embargado, constituem prova indireta e insuficiente para comprovar a remissão da dívida”, pontuou o juiz, ressaltando a ausência de manifestação direta e inequívoca do credor.

Operação Cleópatra

Taiza Tosatt foi presa em 31 de outubro de 2024, durante a Operação Cleópatra, deflagrada pela Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon). Ela permaneceu detida na Cadeia Feminina de Colíder até fevereiro de 2025, quando obteve liberdade mediante o cumprimento de medidas cautelares.

Conforme as investigações, Taiza seria a principal responsável por um suposto esquema de pirâmide financeira operado pela empresa DT Investimentos, que teria causado prejuízo estimado em R$ 2,5 milhões, com dezenas de vítimas oficialmente identificadas.

Entre 2021 e 2022, o escritório da DT Investimentos funcionou no Edifício Helbor Business, no bairro Alvorada, em Cuiabá. Taiza se apresentava como proprietária da empresa, enquanto Ricardo Mancinelli Souto Ratola e o cirurgião-geral Diego Rodrigues Flores figuravam como sócios.

Ricardo e Diego também foram alvos da Operação Cleópatra, que cumpriu mandados de busca e apreensão, determinou bloqueio de bens e valores, além da suspensão das atividades econômicas das empresas envolvidas.


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