- CUIABÁ
- SÁBADO, 28 , FEVEREIRO 2026
O The Wall Street Journal aponta que o número de americanos deixando os EUA atingiu recorde. O movimento ocorre com famílias buscando regiões mais acessíveis e seguras, entre elas Portugal. Dados da Brookings indicam saída de cerca de 150 mil pessoas no último ano.
Segundo o WSJ, não houve saldo migratório positivo nos EUA pela primeira vez desde a Grande Depressão. Autorização de residência, compra de imóveis e matrícula escolar sugerem que os americanos “votam com os pés” em ritmo sem precedentes.
A expressão usada por analistas é o “Donald Dash”, associando o pico à segunda gestão de Donald Trump. O fenômeno vem crescendo há anos, impulsionado pelo teletrabalho, custo de vida e desejo por qualidade de vida na Europa.
Entre os destinos, Portugal e República Tcheca aparecem com destaque. A República Tcheca registrou mais que o dobro de cidadãos norte-americanos residindo no país na última década.
Estimativas apontam que, globalmente, entre 4 milhões e 9 milhões de norte-americanos vivem no exterior, sem um registro único. O México abriga mais de 1,5 milhão, segundo fontes citadas pelo jornal.
Na Europa, o contingente americano supera 1,5 milhão, com mais de 325 mil no Reino Unido. Em quase todos os 27 estados da UE, há aumento de americanos que vivem e trabalham no bloco.
Portugal mostra crescimento expressivo: o total de americanos residentes no país aumentou mais de cinco vezes desde a pandemia. Espanha e Países Baixos também viram números quase duplicarem. A República Checa registrou maior aumento.
No ano anterior, houve mais americanos mudando-se para a Alemanha do que alemães indo para os EUA. A Irlanda também recebeu mais moradores dos EUA, em busca de qualidade de vida e proteção social.
As autoridades norte‑americanas sinalizam aumento de pedidos de renúncia à cidadania. Em 2024, houve alta em relação a 2023 e a tendência pode ter continuidade.
Paralelamente, o interesse pela cidadania britânica está no maior nível desde 2004, e pedidos de nacionalidade irlandesa também atingiram recorde. Motivações citadas incluem fatores econômicos, estilo de vida e afastamento de políticas.
Atração pela Europa decorre da combinação de sistema social, saúde e educação de qualidade, além de salários mais estáveis. Entre depoimentos, um casal que se mudou para Berlim ilustra a busca por melhor equilíbrio.
Gentrificação é citada como efeito observado em alguns locais. Bali, Colômbia, Tailândia e, em menor escala, Portugal e Espanha discutem impactos sobre moradores locais.
Em Portugal, 58% dos compradores estrangeiros de imóveis são norte‑americanos, com valorização de bairros históricos de Lisboa em cinco anos. Em Barcelona, grafite atualiza o debate sobre habitação e moradia.