- CUIABÁ
- SEGUNDA-FEIRA, 2 , MARÇO 2026
Em um movimento que espelha estratégias jurídicas e políticas de pleitos anteriores, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a integrar formalmente, nesta segunda-feira (2), a equipe de advogados do ex-presidente Jair Bolsonaro. A medida ocorre enquanto o ex-mandatário permanece detido no Complexo Penitenciário da Papuda, em meio às articulações para a sucessão presidencial.
A inclusão de Flávio na banca defensora possui um objetivo estratégico central: garantir acesso irrestrito à unidade prisional. Na condição de filho, o senador estaria submetido ao regime comum de visitas, limitado a apenas dois dias por semana. Como advogado constituído, no entanto, ele passa a ter prerrogativa de entrada livre, facilitando o fluxo de informações e o planejamento das alianças estaduais e nacionais para a campanha.
Repetição de estratégia histórica
O artifício não é inédito na política brasileira. O cenário atual guarda semelhanças diretas com a pré-campanha de 2018, quando o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve preso na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba.
Naquela ocasião, o hoje ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reativou sua inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para atuar como defensor de Lula. A manobra permitiu que Haddad servisse de ponte direta entre o então pré-candidato e o comando do Partido dos Trabalhadores, culminando em sua posterior oficialização como cabeça de chapa.
Composição técnica e política
Embora Flávio Bolsonaro possua registro na OAB desde 2006, sua atuação deve focar na articulação política, deixando a condução jurídica dos processos a cargo dos advogados Celso Vilardi, Paulo Cunha Bueno e João Henrique Nascimento Freitas.
Vale destacar que Flávio não é o primeiro aliado a adotar essa postura: o ex-ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, já havia sido substabelecido anteriormente com o mesmo intuito de auxiliar na coordenação de campanha a partir do cárcere.