quinta-feira, 12 - março 2026 - 12:02



CONFLITO NO ORIENTE MÉDIO

Irã diz ao mundo para se preparar para petróleo a US$ 200 o barril


Reprodução
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O cenário geopolítico global atingiu um novo patamar de tensão nesta quarta-feira (11). Enquanto o Irã alerta que o mercado deve se preparar para o petróleo a US$ 200 por barril, forças da Guarda Revolucionária atingiram três navios mercantes no Golfo Pérsico. O conflito, iniciado há duas semanas por ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel, já soma cerca de 2 mil mortos, a maioria em território iraniano e libanês.

A Agência Internacional de Energia (AIE) recomendou a liberação imediata de 400 milhões de barris das reservas estratégicas globais — a maior intervenção da história — para tentar conter o que especialistas já classificam como um dos piores choques energéticos desde a década de 1970.


Caos Logístico e Bloqueio Marítimo

O Estreito de Ormuz, por onde circula um quinto de todo o petróleo mundial, permanece bloqueado. Relatos indicam que o Irã implantou cerca de doze minas marítimas no canal, impossibilitando a navegação segura. A escalada no mar já deixou marcas: 14 navios mercantes foram atingidos desde o início das hostilidades.

Nesta quarta-feira, um graneleiro tailandês foi incendiado, resultando no desaparecimento de três tripulantes. Embarcações do Japão e das Ilhas Marshall também sofreram danos por projéteis após ignorarem ordens de parada das forças iranianas.

Resistência Militar e Alvos Estratégicos

Apesar dos intensos bombardeios do Pentágono, o Irã demonstrou capacidade de retaliação ao disparar contra Israel e alvos no Iraque. Em resposta, os EUA afirmaram ter destruído 28 embarcações iranianas especializadas no lançamento de minas.

O governo de Donald Trump adotou tons ambivalentes: enquanto o Pentágono alerta para possíveis ataques de drones iranianos na costa oeste dos EUA, o presidente declarou à rede Axios que “não resta praticamente nada” para ser atingido no Irã e sugeriu que o fim do conflito ocorrerá assim que ele desejar. Em contrapartida, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, foi enfático: a operação continuará “sem limite de tempo” até que o programa nuclear e a capacidade militar iraniana sejam desmantelados.


Impacto Econômico e Político

A instabilidade disparou a volatilidade nos mercados. O barril de petróleo, que chegou a recuar para US$ 90, subiu quase 5% nesta quarta-feira devido aos temores de interrupção prolongada no fornecimento.

  • Nos EUA: A subida dos preços nos postos de combustíveis coloca pressão sobre o Partido Republicano às vésperas das eleições de meio de mandato (midterms) em novembro.

  • No Irã: A população enfrenta apagões e chuvas contaminadas pela fumaça de instalações de petróleo bombardeadas. O país lida ainda com a sucessão de liderança, após o aiatolá Ali Khamenei ser morto no início da guerra. Seu filho e sucessor, Mojtaba Khamenei, teria sido ferido e ainda não apareceu em público.

“Preparem-se para o petróleo a US$ 200, pois o preço depende da segurança regional que vocês desestabilizaram”, disparou Ebrahim Zolfaqari, porta-voz do comando militar iraniano.

Cenário de Incerteza

Mesmo com as esperanças de Washington de que o regime clerical caísse sob protestos populares, as forças de segurança de Teerã mantêm controle rígido, tratando qualquer manifestante como “inimigo de guerra”. No entanto, coalizões curdas iranianas afirmam ter dezenas de milhares de jovens prontos para pegar em armas contra o governo central caso recebam apoio externo.

Enquanto a Europa e a Turquia pedem o fim imediato das hostilidades, os militares israelenses mantêm uma lista extensa de alvos, incluindo silos de mísseis balísticos e centros de pesquisa nuclear.


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