- CUIABÁ
- QUINTA-FEIRA, 12 , MARÇO 2026
O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), rejeitou formalmente a sugestão de abrir mão de sua pré-candidatura à Presidência da República para compor, como vice, uma chapa encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A negativa ocorreu durante reunião realizada nesta quarta-feira, na sede do governo paranaense em Brasília, com o senador Rogério Marinho (PL).
Segundo interlocutores próximos ao governador, o convite partiu de Marinho, mas foi prontamente descartado. Ratinho Júnior reafirmou que seu foco permanece na viabilização de um projeto próprio para o Palácio do Planalto. A definição oficial sobre o nome que representará o PSD na corrida presidencial está marcada para o dia 25 de março.
Cicatrizes de 2024 e o Fator Curitiba
Durante o encontro, o governador paranaense relembrou o desgaste ocorrido nas eleições municipais de 2024 em Curitiba. Na ocasião, embora o PL tenha indicado o vice na chapa apoiada pelo governo estadual, o ex-presidente Jair Bolsonaro optou por apoiar a candidatura de Cristina Graeml no segundo turno. O episódio é visto por aliados de Ratinho como um ponto de desconfiança na relação com a cúpula do Partido Liberal.
Xadrez Eleitoral no Paraná
Apesar da recusa em ocupar o posto de vice, Ratinho Júnior indicou que pretende honrar compromissos locais. Ele reafirmou o apoio ao deputado Filipe Barros (PL) na disputa por uma vaga ao Senado pelo Paraná, fruto de acordos firmados ainda no ano passado.
No entanto, o cenário para o Senado permanece complexo:
Preferência do Governador: O nome de confiança de Ratinho é o secretário de Cidades, Guto Silva (PSD).
Contra-ataque do PL: Rogério Marinho sinalizou que, caso o governador insista na candidatura presidencial — dividindo o campo da direita —, o PL pode apoiar a reeleição do senador Sérgio Moro, criando um palanque concorrente no estado.
Impacto Nacional
A decisão de Ratinho Júnior consolida o PSD, liderado por Gilberto Kassab, como um player independente e estratégico para 2026, evitando uma adesão precoce à polarização direta em torno da família Bolsonaro. O movimento obriga o PL a recalcular sua estratégia de alianças no Sul do país, região considerada reduto eleitoral decisivo para a oposição.