- CUIABÁ
- SEGUNDA-FEIRA, 16 , MARÇO 2026
O juiz Bruno D’Oliveira Marques, da Vara Especializada em Ações Coletivas, determinou a penhora de créditos judiciais do médico psiquiatra Ubiratan de Magalhães Barbalho para garantir o pagamento de um débito que soma R$ 1.281.198,66. O valor é decorrente de uma condenação por improbidade administrativa. A decisão foi publicada nesta segunda-feira (16).
Ubiratan foi condenado em 2016 por emitir atestados médicos e prescrever medicamentos controlados a militares e servidores públicos que buscavam afastamento de suas funções, mesmo sem apresentar qualquer doença.
De acordo com relatório do Ministério Público do Estado de Mato Grosso, o médico ainda deve mais de R$ 1,2 milhão aos cofres públicos, mesmo após a venda de bens que foram levados a leilão ao longo do processo.
Segundo o órgão, Ubiratan possui valores a receber em três ações judiciais que tramitam no Tribunal de Justiça de Mato Grosso: uma na 1ª Vara Especializada da Fazenda Pública, outra na 3ª Vara Especializada da Fazenda Pública e uma terceira na 8ª Vara Cível.
Diante disso, o magistrado determinou a penhora de eventuais valores que venham a ser liberados nesses processos, a fim de abater a dívida.
Na mesma decisão, o juiz também determinou que o Estado de Mato Grosso informe, no prazo de 10 dias, os dados bancários necessários para a transferência dos valores obtidos com a arrematação de bens já leiloados no decorrer da execução.
Ubiratan ganhou notoriedade nacional após ser alvo de uma reportagem exibida pelo programa Fantástico, da Rede Globo, em janeiro de 2011, que denunciou a venda irregular de atestados médicos a servidores públicos.
Na ocasião, uma policial militar, utilizando uma câmera escondida, flagrou o médico comercializando atestados dentro do próprio consultório. A gravação foi realizada a pedido da Corregedoria-Geral da Polícia Militar e do Ministério Público Estadual, que já investigavam suspeitas sobre sua atuação.
Dados da Corregedoria da PM apontaram que 87 policiais militares adquiriram atestados médicos do psiquiatra, que cobrava cerca de R$ 150 por documento.
Após a revelação do esquema, o médico teve o registro cassado pelo Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso, ficando proibido de exercer a profissão em todo o país.
Ele ainda recorreu da decisão ao Conselho Federal de Medicina, mas o órgão manteve a punição aplicada pelo CRM, encerrando definitivamente a possibilidade de retorno à atividade médica.