- CUIABÁ
- TERÇA-FEIRA, 17 , MARÇO 2026
As Forças Armadas do Irã alertaram que instalações localizadas no Mar Vermelho utilizadas pela Marinha dos Estados Unidos poderão ser consideradas “alvos potenciais”, em uma das primeiras ameaças explícitas de Teerã contra a presença militar americana na região.
“A presença do porta-aviões americano USS Gerald R. Ford no Mar Vermelho é considerada uma ameaça ao Irã”, afirmou o Comando Militar Unificado do país nesta segunda-feira (16), segundo informações divulgadas pela agência semioficial Fars News Agency.
“Portanto, centros logísticos e de serviços que dão suporte ao referido grupo naval no Mar Vermelho serão considerados alvos potenciais pelas Forças Armadas do Irã”, acrescentou o comunicado.
O Mar Vermelho abriga diversos portos sauditas responsáveis por grande parte da movimentação de exportações de petróleo e outras cargas comerciais da região.
Nos últimos dias, a Arábia Saudita ampliou o envio de petróleo a partir do terminal de Yanbu e de outros portos localizados na costa do Mar Vermelho. A medida ocorre em meio à paralisação quase total do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas estratégicas para o transporte global de petróleo.
Conflito no Oriente Médio
O atual cenário de tensão tem origem no conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. A guerra teve início em 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre forças americanas e israelenses resultou na morte do então líder supremo iraniano, Ali Khamenei, em Teerã.
Além dele, diversas autoridades de alto escalão do regime iraniano também foram mortas. Os Estados Unidos afirmam ainda ter destruído dezenas de embarcações do país, além de sistemas de defesa aérea, aeronaves e outros alvos militares.
Em resposta, o regime iraniano realizou ataques contra diversos países do Oriente Médio, incluindo Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. Autoridades iranianas afirmam que os alvos seriam apenas interesses ligados aos Estados Unidos e a Israel nesses países.
Segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, organização sediada nos Estados Unidos, mais de 1.200 civis morreram no Irã desde o início da guerra. Já a Casa Branca informou que ao menos sete soldados americanos morreram em decorrência direta dos ataques iranianos.
O conflito também se estendeu ao Líbano. O grupo armado Hezbollah, apoiado pelo Irã, realizou ataques contra território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Em resposta, Israel tem promovido ofensivas aéreas contra o que afirma serem posições do Hezbollah no país vizinho. Desde então, centenas de pessoas morreram em território libanês.
Novo líder supremo
Com a morte de grande parte da cúpula do regime, um conselho iraniano escolheu como novo líder supremo Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Analistas avaliam que a escolha indica continuidade na linha política do regime, sem mudanças estruturais significativas.
O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump criticou a decisão, classificando-a como um “grande erro”. Segundo ele, Washington deveria ter participado do processo e afirmou que Mojtaba seria “inaceitável” para liderar o Irã.