- CUIABÁ
- DOMINGO, 22 , MARÇO 2026
O senador Flávio Bolsonaro (PL) defendeu, neste domingo (22), em João Pessoa (PB), que o Brasil adote a classificação de facções criminosas como organizações terroristas. A medida, que mira grupos como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), está em sintonia com a estratégia de segurança externa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“Se eu fosse o presidente da República, essas facções já teriam sido declaradas terroristas. O Brasil estaria assinando acordos de cooperação para prender esses marginais e libertar o povo”, afirmou o senador, que cumpre sua primeira agenda de pré-campanha na região Nordeste.
Críticas ao Governo Federal e Soberania
Flávio Bolsonaro aproveitou a ocasião para criticar a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo o parlamentar, o atual governo falha no combate ao crime transnacional e utiliza a tese de “intervenção americana” para gerar temor na população.
“Ele [Lula] fica com essa mentira de que o Trump vai intervir no Brasil. Acha que o Trump vai fazer como fez com Nicolás Maduro, levá-lo para Washington. Isso não existe, não está na mesa. É uma tentativa de implementar o terror porque ele é incompetente”, disparou o senador.
O Contexto Diplomático: EUA vs. Planalto
A declaração ocorre em um momento de sensibilidade diplomática. A Casa Branca estuda classificar o PCC e o CV como organizações terroristas, a exemplo do que já fez com o Clan del Golfo (Colômbia) e o Tren de Aragua (Venezuela). Na prática, essa designação permite aos EUA:
Bloquear ativos financeiros em solo americano;
Impedir a entrada de membros ligados às organizações;
Facilitar operações militares e de inteligência conjuntas com forças locais.
Por outro lado, o Palácio do Planalto vê a medida com reserva, avaliando que a classificação unilateral pelos EUA pode representar uma ameaça à soberania nacional. A orientação de Lula à sua equipe é de reação cautelosa, mantendo o tema restrito aos canais diplomáticos para evitar ruídos de interferência externa.
Estratégia Eleitoral no Nordeste
A viagem de Flávio Bolsonaro — que incluiu passagens por Natal (RN) no sábado e João Pessoa (PB) no domingo — faz parte de um esforço estratégico do PL para reduzir a vantagem histórica do PT no Nordeste. Ao pautar a segurança pública e a aliança com Trump, o pré-candidato busca atrair o eleitorado conservador em redutos tradicionalmente lulistas.