- CUIABÁ
- TERÇA-FEIRA, 24 , MARÇO 2026
O julgamento de Talita Canavarros Soares e Francinaldo José da Silva, acusados pela morte do próprio filho de apenas 1 mês e nove dias, foi marcado por depoimentos fortes, contradições e troca de acusações ao longo desta terça-feira (24), em Barra do Bugres. A sessão do Tribunal do Júri é conduzida pelo juiz Lawrence Pereira Midon e integra o programa Mais Júri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
Logo nas primeiras horas, testemunhas da investigação apontaram comportamento considerado “frio” por parte dos réus no dia da morte da criança. A policial civil Adriana Oennibg relatou diversas contradições nas versões apresentadas pelo casal e afirmou que “nenhuma versão se sustentava”. Segundo ela, inicialmente os pais alegaram asfixia acidental, depois queda da cama e, posteriormente, passaram a dizer que não sabiam o que havia ocorrido.
Durante o julgamento, também foram relatadas suspeitas de que o local do crime teria sido alterado. A polícia encontrou manchas semelhantes a sangue na varanda da casa, com indícios de limpeza. Além disso, laudos periciais indicaram que o bebê sofreu traumatismo craniano grave, incompatível com versões de acidente doméstico simples, levantando a hipótese de agressões.
Em interrogatório, Francinaldo admitiu falha por não ter acionado socorro, mas negou qualquer agressão. “Eu sei que tenho culpa. Eu deveria ter chamado o Samu”, disse. Ele também levantou suspeitas sobre a companheira, afirmando que, sob efeito de álcool, ela poderia ter causado as lesões. Já Talita confirmou que derrubou a criança, mas negou violência: “Eu derrubei a criança”, afirmou, atribuindo o fato ao estado de embriaguez.
Na fase de debates, o Ministério Público, representado pelo promotor Roberto Arroio Farinazzo Junior, sustentou que o bebê foi vítima de agressões reiteradas. “O bebê foi torturado”, afirmou, citando laudos que apontam múltiplas lesões e fraturas. A acusação defende a condenação por homicídio qualificado.
Por outro lado, as defesas sustentam que não houve intenção de matar. Os advogados argumentaram que o caso se trata de negligência e pediram a desclassificação para crime culposo ou homicídio simples. A defesa de Talita destacou que ela confessou a queda e atribuiu o ocorrido ao consumo excessivo de álcool, enquanto a de Francinaldo reforçou que ele não participou diretamente do fato.
O julgamento segue com expectativa de decisão pelo Conselho de Sentença, formado por sete jurados, que irão definir se os réus serão condenados e por quais crimes.