domingo, 29 - março 2026 - 18:12



SEGURANÇA ALIMENTAR

Carne em temperatura inadequada pode causar doenças intestinais


Estudo da UFMT identificou que alteração na temperatura das carnes acarreta doenças gastrointestinais.
Estudo da UFMT identificou que alteração na temperatura das carnes acarreta doenças gastrointestinais.

A comercialização de carne bovina em temperaturas acima de 7 °C pode favorecer a proliferação de bactérias e provocar doenças gastrointestinais, representando riscos à saúde dos consumidores. A constatação faz parte de um estudo realizado pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), que aponta a necessidade de melhorias nas condições sanitárias, desde o abate até a comercialização.

Publicado recentemente na Revista de Ciências Agroveterinárias (UDESC), o estudo analisou dados de 69 artigos de diferentes regiões do Brasil e identificou riscos associados tanto a falhas no controle de temperatura em estabelecimentos comerciais quanto à higiene inadequada durante a manipulação e o preparo dos alimentos, na indústria e também em residências.

A professora da UFMT e coorientadora da pesquisa, Karina da Silva Chaves, explica que o estudo teve origem no interesse de uma estudante de graduação em compreender como funcionam o controle e a fiscalização da qualidade da carne, especialmente em Mato Grosso, um dos maiores produtores da proteína no país. Segundo ela, a qualidade da carne está diretamente relacionada à segurança do consumidor.

“Uma carne de baixa qualidade está associada não apenas às características microbiológicas, mas também às sensoriais, como aparência e aspectos esperados do produto”, destaca.

De acordo com a pesquisa, a conservação e o manuseio inadequados favorecem a contaminação por bactérias, principalmente dos gêneros Salmonella e Listeria, que podem causar sintomas como diarreia, febre, dor abdominal, náuseas e vômitos.

Cuidados na compra

A pesquisadora orienta que o consumidor observe sinais que podem indicar deterioração do produto, como alteração de cor — especialmente tons escuros, como marrom intenso, ou manchas esverdeadas —, além de textura viscosa ou pegajosa.

Outro ponto importante é o odor. Cheiros fortes, ácidos ou de putrefação podem indicar que a carne está imprópria para consumo. Também é recomendado avaliar as condições do local de venda, verificando se os manipuladores utilizam equipamentos de proteção, como luvas, e se as superfícies são devidamente higienizadas.

No caso de carnes embaladas a vácuo, é importante observar se há estufamento na embalagem, o que pode indicar produção de gases e possível deterioração do alimento.

Armazenamento em casa

Os cuidados devem continuar após a compra. A recomendação é armazenar a carne imediatamente sob refrigeração ou congelamento, garantindo temperaturas adequadas para evitar a proliferação de microrganismos.

“O congelamento retarda o desenvolvimento microbiano e aumenta a vida útil da carne”, explica a pesquisadora.

Para o preparo, o ideal é descongelar o alimento lentamente, mantendo-o na geladeira antes do consumo. O procedimento ajuda a preservar as características do produto e contribui para a segurança alimentar.

O estudo também reforça a necessidade de fiscalização mais rigorosa em todas as etapas da cadeia produtiva e da conscientização dos estabelecimentos quanto ao cumprimento das normas de higiene e armazenamento previstas na legislação.

Carnes embaladas à vácuo não podem ter estufamento na embalagem ou cores diferentes da habitual.
Ao chegar em casa, a carne deve ser mantida no congelador, caso não seja preparada imediatamente.

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