quinta-feira, 2 - abril 2026 - 20:30



GEOPOLÍTICA

Putin e Xi Jinping querem ver Trump “se afundar” com guerra


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O professor de Relações Internacionais da ESPM, Gunther Rudzit, analisou os impactos políticos do atual conflito no Oriente Médio para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo o especialista, China e Rússia têm interesse na continuidade da guerra, já que o cenário pode provocar desgaste político ao líder americano às vésperas das eleições de novembro.

“Os dois governos deixam Trump se desgastar nesse conflito e tendem a manter essa postura. Embora adotem um discurso público em defesa da paz, há interesse na continuidade da guerra para enfraquecê-lo politicamente nas eleições”, afirmou Rudzit, durante o programa Hora H desta quinta-feira (2).

Ao comentar a possibilidade de China e Rússia atuarem como mediadoras em um eventual conflito entre Estados Unidos e Irã, o professor destacou que a mediação depende da aceitação de ambas as partes envolvidas.

“O governo iraniano certamente aceitaria qualquer um dos dois como mediador. O impasse está na posição de Trump em relação à China”, explicou.

De acordo com o especialista, a resistência do presidente americano estaria ligada à percepção de dependência em relação ao líder chinês, Xi Jinping. “Para Trump, a ideia de depender de Xi Jinping é impensável”, avaliou.

Em relação à Rússia, Rudzit ponderou que o cenário seria menos sensível, considerando a admiração já manifestada por Trump em relação ao estilo de liderança de Vladimir Putin.

O professor também abordou a resiliência do regime iraniano, mesmo diante da morte de lideranças. Segundo ele, o país se preparou previamente para esse tipo de situação.

“Os líderes regionais da Guarda Revolucionária, responsáveis por mísseis e drones, já receberam planos de guerra e autorização para executá-los em caso de ataques ou tentativa de desarticulação da liderança”, afirmou.

Por fim, Rudzit avaliou que a estratégia dos Estados Unidos deve continuar focada na pressão econômica sobre o Irã, evitando alvos sensíveis, como instalações petrolíferas e de dessalinização, para reduzir o risco de retaliações contra aliados no Golfo.

“Essa estratégia, no entanto, não deve alterar a postura iraniana. O país se preparou para esse cenário e o regime demonstra disposição para sustentar um conflito prolongado, que considera uma guerra de resistência”, concluiu.


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