domingo, 12 - abril 2026 - 22:02



ENDIVIDAMENTO E RENDA

Pesquisa aponta comprometimento de renda do brasileiro em 80,5%


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A desigualdade de renda entre as regiões brasileiras segue diretamente associada à pressão sobre o orçamento das famílias. Levantamento da Serasa Experian aponta que consumidores do Norte comprometem, em média, 80,5% da renda com despesas financeiras — o maior percentual do país. No Sul, onde está o menor índice, o comprometimento é de 71,9%, uma diferença de 8,6 pontos percentuais.

O Nordeste aparece na sequência, com 78% da renda comprometida, seguido pelo Centro-Oeste, com 74,7%. Já o Sudeste (72,7%) e o Sul registram os menores níveis, indicando maior folga relativa no orçamento familiar. A disparidade também se reflete na renda média: o Sudeste lidera com R$ 4.448, seguido pelo Sul (R$ 4.308) e Centro-Oeste (R$ 4.296). O Norte registra média de R$ 3.018, enquanto o Nordeste apresenta o menor rendimento, de R$ 2.821 — uma diferença de R$ 1.627 entre os extremos.

Na prática, regiões com menor renda destinam uma parcela maior do orçamento ao pagamento de despesas financeiras, o que reduz a capacidade de consumo, poupança e enfrentamento de imprevistos.

Segundo a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, níveis de comprometimento próximos a 80% representam alto risco para o equilíbrio financeiro das famílias. “A margem de manobra praticamente desaparece, dificultando a absorção de imprevistos, o planejamento de compras maiores e o acesso a crédito em melhores condições”, afirma.

O estudo foi elaborado com base na solução Renda 5.0, que consolida informações sobre renda média, origem dos rendimentos e grau de comprometimento com despesas financeiras, incluindo dívidas e contas básicas.

Pressão persistente ao longo dos anos

A série histórica indica que o comprometimento da renda permanece elevado desde 2022. No Norte, o índice recuou de 81,9% para 80,5% em 2025, mas se manteve acima de 80% durante todo o período. No Nordeste, houve variação de 79,4% para 78%. No Sul, o índice caiu de 73,2% para 71,9%, enquanto o Sudeste passou de 73,4% para 72,7%. O Centro-Oeste permaneceu próximo de 75%.

Apesar da elevação da renda média em todas as regiões, o crescimento ocorreu de forma desigual. O Sul avançou de R$ 4.075 para R$ 4.308, e o Sudeste, de R$ 4.227 para R$ 4.448. Já o Norte teve leve alta, de R$ 3.007 para R$ 3.018, e o Nordeste passou de R$ 2.766 para R$ 2.821, mantendo-se com os menores rendimentos do país.

Para o vice-presidente de crédito e plataformas da Serasa Experian, Eduardo Mônaco, a combinação de renda desigual e alto comprometimento reforça desafios estruturais e exige maior precisão na concessão de crédito. “É fundamental adotar modelos mais responsáveis e baseados em dados, alinhados à realidade financeira de cada região”, destaca.

Metodologia

O levantamento utiliza dados da versão 5.0 das soluções Renda e Renda+ da Serasa Experian, com estimativas aplicadas a uma amostra da população brasileira. As informações têm como base novembro de 2025 e consideram valores nominais de renda.


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