O mês de abril manteve a trajetória de alta da inadimplência em Mato Grosso, que atingiu 48,21% da população adulta, o equivalente a cerca de 1,5 milhão de consumidores negativados.
De acordo com dados do SPC Brasil, divulgados para a Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL Cuiabá), o estado registrou aumento de 5,57% no número de inadimplentes na comparação com abril do ano passado. Em relação a março de 2026, também houve alta de 0,29%, reforçando a tendência de crescimento.
O levantamento aponta ainda que o tempo médio de atraso das dívidas no estado é de 28 meses. Entre os consumidores inadimplentes, 36,18% possuem débitos vencidos entre um e três anos, enquanto 16,80% acumulam atrasos de 91 dias a um ano.
Mesmo com crescimento inferior à média do Centro-Oeste, que soma 6,37 milhões de inadimplentes, e ao cenário nacional, que se aproxima de 75 milhões de brasileiros endividados, o quadro segue preocupante para o setor varejista.
O presidente da CDL Cuiabá, Júnior Macagnam, destaca a necessidade de medidas estruturais para enfrentar o problema. Segundo ele, políticas de educação financeira e incentivo ao crédito responsável são fundamentais para reduzir o endividamento.
“A CDL Cuiabá reforça a necessidade urgente de políticas estruturais de educação financeira e de apoio ao crédito responsável para combater a causa raiz do problema”, afirmou.
Como iniciativa, a entidade apresentou proposta de Projeto de Lei aos legislativos estadual e municipal, entregue ao deputado estadual Carlos Avalone e à vereadora Maria Avalone, com foco na inclusão da educação financeira nas escolas públicas.
Segundo a CDL, a medida busca preparar as novas gerações para uma gestão mais consciente dos recursos e contribuir para a redução do ciclo de endividamento no longo prazo.
A “radiografia do endividamento” mostra ainda alta de 11,53% no número de dívidas em atraso na comparação anual e aumento de 1,53% entre março e abril de 2026. O valor médio das dívidas por consumidor chegou a R$ 5.965,47.
Os débitos bancários seguem como principal origem das restrições, representando 54,94% do total, seguidos pelo comércio (21,92%) e pelos serviços essenciais, como água e energia (8,72%). A faixa etária mais afetada é a de 30 a 39 anos, enquanto a média dos inadimplentes é de 44 anos.