- CUIABÁ
- SEXTA-FEIRA, 15 , MAIO 2026
A presidente da Câmara de Cuiabá, Paula Calil (PL), defendeu pela primeira vez de forma mais enfática a possibilidade de disputar a reeleição para o comando da Mesa Diretora e rebateu críticas sobre uma eventual mudança no regimento interno da Casa.
Durante entrevista ao Jornal da Verde 103.7 FM, nesta sexta-feira (15), a parlamentar afirmou que a recondução não seria um ato “antidemocrático” e sustentou que a continuidade de uma gestão deve ser avaliada pelos próprios vereadores.
“E assim, a presidente Paula vem fazendo um mau trabalho, vem conduzindo com imparcialidade a Câmara Municipal de Cuiabá? Fica a pergunta”, disparou a vereadora ao defender sua permanência no cargo.
Nos bastidores da disputa pela presidência da Câmara de Cuiabá, aliados da vereadora Paula Calil avaliam que o grupo já teria os 14 votos necessários para formar maioria em torno da atual mesa diretora, inclusive com apoio de parlamentares da oposição. No entanto, interlocutores admitem que o maior obstáculo segue sendo alcançar os 18 votos exigidos para alterar o regimento interno e permitir uma nova candidatura da parlamentar. A avaliação é de que a disputa entrou em uma “guerra de narrativa”, em que os grupos tentam demonstrar força política nos bastidores para pressionar indecisos e enfraquecer adversários.
Os vereadores Dilemário Alencar (União), que também pleiteia o cargo, e Baixinha Giraldeli (Solidariedade) são vistos como peças-chave na definição da eleição, por ainda não estarem alinhados oficialmente a nenhum dos lados. Outro ponto que chama atenção é a resistência de parte dos parlamentares à interferência do prefeito Abilio Brunini (PL) na disputa da Mesa Diretora, o que teria levado aliados a orientarem o gestor a adotar um discurso público de neutralidade.
Segundo ela, a possibilidade de reeleição já ocorre em outras instituições e não pode ser tratada como retrocesso político. Paula citou exemplos como a Assembleia Legislativa de Mato Grosso e o Tribunal de Contas do Estado, onde houve recondução de presidentes após alterações regimentais.
“Se houver a maioria dos vereadores, e se esse for um consenso para promover uma alteração do regimento interno, que não vale só para essa mesa, vale para as outras mesas também, porque é um processo legal.”
A presidente também confirmou que já ocorreram reuniões entre vereadores para discutir a mudança no regimento interno da Câmara, embora tenha afirmado que ainda não existe nenhuma proposta oficialmente protocolada. Conforme a parlamentar, são necessários 18 votos para aprovar a alteração. “Se houver a maioria dos vereadores e esse for um consenso para promover uma alteração do regimento interno, é um processo legal”, afirmou.
Ao comentar críticas sobre suposta interferência do prefeito Abilio Brunini na disputa pela Mesa Diretora, Paula tentou minimizar o tema e declarou que, inicialmente, o nome apoiado pelo chefe do Executivo era outro. “O candidato do prefeito Abilio era o vereador Dilemário, não a vereadora Paula”, disse. A fala ocorre após o prefeito sair em defesa pública da presidente e afirmar que a eventual reeleição dela representaria um “momento histórico” para a participação feminina na política cuiabana.
Mesmo reconhecendo resistências dentro da própria Câmara, Paula afirmou que cada vereador tem legitimidade para defender o projeto político com o qual se identifica. No entanto, voltou a criticar o discurso de adversários que classificam a reeleição como antidemocrática. “Não se pode criar narrativa de retrocesso ou antidemocrático, porque isso ocorre em outras instituições”, completou.
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