- CUIABÁ
- SEXTA-FEIRA, 15 , MAIO 2026
O Instagram passou anos tentando ser tudo ao mesmo tempo. Virou vídeo curto, entretenimento, marketplace, plataforma de anúncios, mensagens, IA, canais, trends e disputa constante por atenção.
A cada aplicativo novo que surge com uma função diferente, pouco tempo depois aparece algo parecido dentro do próprio Instagram.
Mas no meio de tantas mudanças, uma nova função chama atenção justamente por lembrar o começo de tudo: “Instants”.
Uma função simples.
Postar uma foto do que está acontecendo agora.
Na hora.
No momento.
Sem produção exagerada.
Sem vídeo editado.
Sem precisar transformar tudo em conteúdo performático.
Sem filtro.
Sem roteiro.
Sem tentar viralizar.
Hoje os aplicativos não competem mais apenas por usuários.
Eles competem por atenção.
Cada minuto que uma pessoa passa dentro de um aplicativo vale dinheiro, dados, influência e oportunidade de venda. E é exatamente por isso que as plataformas vivem criando novas funções o tempo inteiro.
O Instagram talvez seja o maior exemplo disso.
O que começou como um aplicativo simples de fotos virou um ecossistema gigante. Hoje dentro do Instagram existe vídeo curto, mensagem, chamada, grupo, loja, música, transmissão ao vivo, inteligência artificial, canais, notas, marketplace social, anúncios e até integração com outros aplicativos da Meta.
E a lógica por trás disso é muito inteligente.
Quando surge um aplicativo novo com uma ideia que chama atenção das pessoas, a Meta observa. Se aquilo funciona, ela adapta, copia ou integra ao seu próprio ecossistema.
Foi assim com os Stories.
Foi assim com os Reels.
Foi assim com o Threads.
E o motivo é simples:
é mais fácil colocar uma função nova dentro de um aplicativo que já possui bilhões de usuários do que convencer as pessoas a começar tudo do zero em outro lugar.
Só que isso também gera um efeito curioso.
Os aplicativos começam a ficar “cheios demais”.
O Facebook passou por isso. Ele foi acumulando tantas funções que muita gente começou a entrar menos, interagir menos e até perder o interesse. Porque quando um aplicativo tenta ser tudo ao mesmo tempo, ele corre o risco de deixar de ser objetivo.
E talvez o Instagram esteja caminhando para esse mesmo ponto.
Mas no meio dessa disputa toda existe uma pergunta importante:
o que as empresas devem fazer diante de tantas funções novas?
A resposta não é tentar usar tudo.
Hoje muitas empresas entram em desespero querendo participar de todas as novidades:
Reels, Threads, canais, grupos, IA, trend, meme, áudio viral, automação, anúncio, influenciador e mais uma lista infinita de possibilidades.
Só que marketing não é sobre estar em todas as funções.
É sobre ser lembrado.
Uma empresa pode usar todas as ferramentas do Instagram e ainda assim não gerar conexão nenhuma.
Enquanto outra, usando apenas o básico, consegue criar autoridade, comunidade e vendas.
Porque o diferencial não está na função.
Está na comunicação.
As pessoas não seguem empresas apenas pelo formato.
Elas seguem porque se identificam com a mensagem.
E talvez esse seja o maior desafio do marketing hoje:
em um ambiente cheio de funções, efeitos e distrações, conseguir continuar humano.
Muitas marcas estão produzindo conteúdo.
Poucas estão criando presença.
E existe diferença.
Presença é quando a pessoa lembra de você sem precisar ver seu anúncio.
É quando ela recomenda espontaneamente.
É quando ela sente verdade no que a marca fala.
No fim das contas, as plataformas vão continuar mudando.
Novas funções vão surgir.
Outros aplicativos vão aparecer.
A concorrência vai copiar tendências.
A inteligência artificial vai acelerar processos.
Mas uma coisa provavelmente continuará igual:
as pessoas ainda vão procurar conexão, confiança e identificação.
E talvez seja exatamente aí que o marketing continue tendo seu maior valor.
Não em acompanhar todas as funções.
Mas em conseguir fazer uma marca ser relevante no meio de tanto barulho.
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João Alves é jornalista, comunicador e estrategista de conteúdo, especializado em comunicação criativa, posicionamento de marcas e conexão com o público. Criador do Método D.I.C.A.