- CUIABÁ
- SEXTA-FEIRA, 22 , MAIO 2026
A prefeita Flávia Petersen Moretti (PL) decidiu manter Gustavo Henrique Duarte, conhecido como Bispo Gustavo Duarte, dentro da gestão municipal, mesmo diante das denúncias de ameaça, injúria e difamação registradas por uma servidora do cerimonial da Prefeitura de Várzea Grande. Após a concessão de medida protetiva que determina distância mínima de 200 metros da vítima, o assessor foi apenas remanejado para a Secretaria de Habitação, conforme apurou o FatoAgora.
Em entrevista à imprensa, Flávia Moretti confirmou que cumpriu a determinação judicial para afastar Gustavo do Paço Municipal, mas evitou aprofundar o mérito da acusação e ressaltou que o caso deverá ser resolvido na Justiça. “Eles, cada um fez o seu boletim de ocorrência, vão se resolver, são o CPF deles. Eu cumpri a decisão da liminar de afastar ele de dentro do Paço Municipal, porque ela trabalha no Paço”, declarou a prefeita.
Na sequência, a gestora afirmou que as versões apresentadas pelos envolvidos são diferentes e que prefere aguardar a conclusão judicial. “As versões são divergentes, então eu deixei que as versões sejam decididas pela Justiça. O mérito seja feito pela Justiça”, disse, ao desconversar sobre uma eventual exoneração do servidor.
O caso veio à tona após aservidora registrar boletim de ocorrência relatando ter sido alvo de xingamentos, ameaças e constrangimentos dentro do gabinete da própria prefeita, no dia 29 de abril. Segundo o documento, Gustavo Duarte teria perdido o controle após a funcionária informar que não poderia cumprir imediatamente uma demanda porque já executava outra tarefa.
Ainda conforme o boletim, o assessor teria afirmado que a justificativa “não era relevante” e insistido para que a ordem fosse obedecida naquele instante. Ao questionar a postura dele e lembrar que ele não era seu superior hierárquico, a servidora afirma ter sido chamada de “sons*a” e “idiota”.
O registro também aponta que, mesmo após a intervenção de colegas de trabalho, Gustavo voltou a procurar a vítima em outra sala e continuou os ataques verbais. Em determinado momento, segundo a denúncia, ele teria apontado o dedo para o rosto da servidora e dito: “você vai ver o que eu vou fazer com você”.
A funcionária ainda denunciou supostos comentários depreciativos feitos pelo assessor a terceiros, inclusive à prefeita, associando a orientação sexual da vítima à sua aparência física ao chamá-la de “sapatão”.
O histórico do assessor também inclui episódios anteriores. Em 2025, ele foi alvo de operação da Polícia Federal que investigava a divulgação de informações falsas contra o ex-governador Mauro Mendes durante as eleições de 2022. Na ocasião, chegou a ser preso por desacato e posteriormente liberado após prestar esclarecimentos.
O que diz o bispo?
A reportagem procurou o bispo quando a denúncia veio a tona. Contudo, não obteve resposta. Na ocasião, o bispo chegou a fazer publicações nas redes sociais, sem citar diretamente o episodio, afirmando que assuntos como esse não podem ser usados com “vitimismo”.
“Banalizar isso é irresponsável e enfraquece a luta legítima das mulheres. Não aceito desrespeito nem acusações infundadas seguidas de vitimismo. Esse tipo de conduta não se sustenta”, acrescenta Duarte.
Afirmou também que não iria aceitar acusações levianas. “São mais de 20 anos de vida pública, pautados por responsabilidade e transparência. Não aceitarei acusações levianas. Respeito é via de mão dupla, não obrigação unilateral”, diz.
Veja o vídeo: