- CUIABÁ
- SEGUNDA-FEIRA, 25 , MAIO 2026
O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), posicionou-se de forma crítica à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a jornada de trabalho na escala 6×1. O gestor estadual defendeu que a flexibilização da carga horária deve ocorrer por meio de livre negociação entre empregadores e trabalhadores, sem a interferência impositiva do Estado.
A proposta, que prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas e a garantia de dois dias de folga, tem gerado forte resistência no setor empresarial.
“No meu pensamento, o Estado não deveria ser o intermediador, muito menos o ditador de leis trabalhistas. Eu sou a favor da negociação”, avaliou Pivetta. “É só ver os países que se desenvolveram, os exemplos que nós temos aí, mundo afora, para ver que a relação de trabalho ocorre entre empregador e trabalhador. Acerta-se o preço, acertam-se as horas de trabalho, pois é algo que não tem como engessar.”
Polarização política e o cenário eleitoral
A PEC tornou-se uma das principais bandeiras do Governo Federal, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que prioriza a pauta neste ano eleitoral de 2026. Em contrapartida, parlamentares da oposição criticam o caráter eleitoreiro da medida e alertam para os impactos financeiros negativos que a mudança brusca pode causar aos setores de comércio, indústria e varejo.
Em Brasília, o debate ganhou contornos regionais com a atuação da bancada de Mato Grosso. Seis dos oito deputados federais do estado — José Medeiros (PL), Rodrigo da Zaeli (PL), Coronel Fernanda (PL), Nelson Barbudo (Podemos), Juarez Costa (Republicanos) e Fabio Garcia (União Brasil) — apresentaram uma emenda ao texto original.
A proposta dos parlamentares mato-grossenses prevê:
Regra de transição: Um prazo de 10 anos para a implementação definitiva da nova jornada.
Compensação fiscal: Corte de impostos e concessão de benefícios tributários a empresários para amortecer os danos econômicos.
Apesar da tentativa de conciliação, a emenda intensificou o desgaste político dos deputados, que enfrentam forte pressão popular às vésperas de irem às urnas.
Votação acelerada na Câmara
Os bastidores no Congresso Nacional apontam para uma resolução rápida do tema. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), trabalha na articulação política para votar a matéria na próxima quinta-feira (28).
A expectativa é que o texto substitutivo, que ainda passa por ajustes na redação, seja submetido à aprovação na comissão especial e, na sequência, apreciado no plenário da Casa em dois turnos no mesmo dia.