quinta-feira, 28 - maio 2026 - 21:44



LEGISLAÇÃO TRABALHISTA

CDL critica deputados de MT e defende prazo de oito anos para aplicação da lei


Presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Cuiabá Júnior Macagnam
Presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Cuiabá Júnior Macagnam

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Cuiabá, Júnior Macagnam, criticou a decisão da Câmara dos Deputados de aprovar o fim da escala 6×1, classificando a medida como resultado de “populismo eleitoral”. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC), aprovada na noite de quarta-feira (27), segue agora para análise do Senado Federal.

Macagnam afirmou que a bancada federal de Mato Grosso errou ao votar de forma unânime a favor da proposta e destacou que o comércio e o setor de serviços na capital empregam mais de 230 mil trabalhadores formais.

“Foi uma decisão muito baseada em fatos e dados, mas também marcada por um populismo político voltado para o processo eleitoral. Pesquisas indicam que mais de 75% da população é favorável à redução da jornada”, declarou.

Segundo o dirigente, a aprovação da PEC contrasta com declarações anteriores de parlamentares contrários à proposta, mas que acabaram votando favoravelmente no plenário.

A mudança na legislação trabalhista prevê a adoção de uma jornada de cinco dias de trabalho e dois de descanso semanal remunerado, sendo um deles preferencialmente aos domingos, sem redução salarial. No primeiro ano de transição, o limite será de 42 horas semanais, passando posteriormente a 40 horas.

Macagnam defende que a implementação da nova regra seja mais gradual e propõe um prazo de transição entre quatro e oito anos para adaptação do mercado de trabalho. Segundo ele, o setor produtivo pode enfrentar dificuldades para reposição de mão de obra em funções essenciais.

“Esse período de transição é muito curto. Em diversas áreas, como saúde, comércio e serviços, será difícil encontrar profissionais suficientes para cobrir as escalas”, afirmou.

Ele também alertou para possíveis impactos em setores que funcionam diariamente, como bares, restaurantes, shoppings e postos de combustíveis.

A PEC mantém o direito ao descanso semanal remunerado, regulamenta a possibilidade de escalas diferenciadas por categoria e preserva mecanismos como banco de horas e acordos coletivos para compensação de jornada. Também prevê regras específicas para trabalhadores considerados “superempregados”, com maior autonomia na negociação direta com empregadores.


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