terça-feira, 9 - junho 2026 - 16:22



FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL

Medeiros propõe proibir multas ambientais baseadas em satélite


Deputado federal José Medeiros (PL)
Deputado federal José Medeiros (PL)

Tramita na Câmara dos Deputados um projeto de lei apresentado pelo deputado federal José Medeiros (PL) que proíbe a aplicação de multas ambientais, embargos e bloqueios de crédito rural fundamentados exclusivamente em imagens de satélite ou em sistemas automatizados de monitoramento.

A proposta institui a Lei Nacional de Garantia do Devido Processo Legal na Fiscalização Ambiental Rural e determina que qualquer penalidade deverá ser precedida de vistoria presencial realizada por agente público competente, acompanhada de laudo técnico detalhado e identificação precisa da suposta infração.

Segundo o parlamentar, o uso de tecnologias de sensoriamento remoto deve ter caráter auxiliar e não pode substituir garantias constitucionais.

“O avanço tecnológico deve servir ao interesse público, mas jamais pode substituir o devido processo legal, o contraditório, a ampla defesa e a verificação dos fatos. O satélite pode apontar indícios, mas não pode condenar ninguém. Hoje, muitos produtores enfrentam multas, embargos e até bloqueios de crédito sem que um fiscal tenha sequer visitado a propriedade”, afirmou.

Pelo texto, imagens de satélite e alertas gerados por sistemas automatizados terão caráter preliminar e informativo, servindo como base para a abertura de procedimento administrativo, mas não como prova única para aplicação de sanções. Caso não haja vistoria presencial, as penalidades poderão ser declaradas nulas.

O projeto também proíbe o bloqueio automático de financiamentos rurais e a inclusão de produtores em cadastros restritivos com base apenas em dados remotos. Eventuais restrições somente poderão ser impostas após decisão administrativa definitiva, com garantia do contraditório e da ampla defesa.

Em um país de dimensões continentais como o Brasil, o monitoramento por satélite é amplamente utilizado para identificar possíveis infrações ambientais. Para Medeiros, no entanto, é necessário estabelecer limites claros ao uso dessas ferramentas.

“O produtor rural não pode ser tratado como criminoso por um algoritmo. A fiscalização ambiental é necessária, mas precisa ocorrer dentro dos limites da lei e com respeito ao direito de defesa”, declarou.

A proposta ainda prevê mecanismos de transparência nos sistemas automatizados utilizados pelos órgãos ambientais. De acordo com o deputado, o objetivo é evitar punições indevidas decorrentes de falhas na interpretação de imagens e algoritmos, buscando conciliar a proteção ambiental com a segurança jurídica no campo.

O projeto começa a tramitar nas comissões temáticas da Câmara antes de seguir para votação em plenário.


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