- CUIABÁ
- SEXTA-FEIRA, 17 , JULHO 2026
O delegado da Polícia Civil Geordan Antunes Fontenelle Rodrigues e o investigador Marcos Paulo Angeli foram condenados a 10 anos e 6 meses de prisão, em regime inicial fechado, por participação em um esquema de corrupção dentro da Delegacia de Peixoto de Azevedo. A sentença, proferida nesta quinta-feira (16) pelo juiz Guilherme Leite Roriz, da 1ª Vara do município, também determina a perda dos cargos públicos dos policiais após o trânsito em julgado da ação.
Segundo a decisão, os dois cobravam propina para favorecer presos e liberar bens apreendidos. Em um dos episódios apontados pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), um empresário preso durante a Operação Hermes II desembolsou R$ 10 mil para não permanecer em uma cela comum, sendo transferido para uma sala climatizada dentro da delegacia. Em outro caso, um motorista preso por embriaguez ao volante pagou R$ 9 mil para obter liberdade, valor que teria sido acertado pelos policiais após descontarem R$ 1 mil referente à fiança oficial.
As investigações da Corregedoria da Polícia Civil revelaram que a dupla dividia igualmente os valores obtidos de forma ilícita. Escutas autorizadas pela Justiça registraram os policiais utilizando a expressão “fifty-fifty” para combinar a repartição do dinheiro. Além dos agentes públicos, os empresários Sidney Carlos de Paula e Romildo Queiroz de Souza foram condenados por corrupção ativa, com pena de 2 anos e 8 meses de reclusão cada.
Na sentença, o magistrado destacou que os crimes foram praticados dentro da própria unidade policial, classificando a conduta como uma “comercialização de atos de ofício”, o que, segundo ele, compromete a credibilidade da administração pública e justifica a perda dos cargos. A decisão ainda é de primeira instância e pode ser contestada por meio de recurso.