sexta-feira, 17 - julho 2026 - 20:34



CALAMIDADE EM VG

Vídeo - Wanderley diz que decreto escancara 'má gestão' em VG; 'conta não fecha'


Allan Mesquita / Da Redação
Reprodução
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O presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande, vereador Wanderley Cerqueira (MDB), reagiu às declarações da prefeita Flávia Moretti (PL), que atribuiu parte da crise financeira do município à falta de aprovação de projetos pelo Legislativo após decretar situação de calamidade financeira e fiscal. Em pronunciamento, o parlamentar negou que a Câmara tenha dificultado a administração e afirmou que a maior parte das propostas enviadas pelo Executivo foi aprovada pelos vereadores.

Segundo Wanderley, a Câmara deu respaldo à atual gestão desde o início do mandato e os números comprovam isso. De acordo com ele, dos cerca de 50 projetos encaminhados pelo Executivo em 2025, 42 foram aprovados imediatamente e outros seis retornaram para correções antes de serem aprovados posteriormente. Apenas um projeto acabou rejeitado pelo plenário.

O presidente explicou que a única matéria barrada foi a que previa o aumento da alíquota do ISSQN de 2% para 5%, medida que, segundo ele, penalizaria diretamente os empresários de Várzea Grande.

“A Câmara entendeu que o empresário não aguenta mais pagar imposto. É ele quem gera emprego, renda e movimenta a economia da nossa cidade”, afirmou.

Wanderley também rebateu a alegação de que o Legislativo teria impedido a prefeitura de administrar o orçamento. Segundo ele, os vereadores autorizaram um remanejamento de 25% do orçamento municipal, equivalente a cerca de R$ 500 milhões, além de aprovarem neste ano outro remanejamento de aproximadamente R$ 155 milhões.

O parlamentar destacou que a prefeita voltou a solicitar um novo remanejamento de mais 20%, o que representaria cerca de R$ 407 milhões adicionais, pedido que causou preocupação entre os vereadores.

“Nós já tínhamos dado um cheque em branco de R$ 500 milhões e depois mais R$ 155 milhões. Quando chegou mais um pedido de R$ 407 milhões, a Câmara ficou assustada”, declarou.

Outro ponto levantado por Wanderley foi o balanço financeiro apresentado ao Legislativo. Segundo ele, o documento apontou que a atual administração encerrou o exercício anterior com R$ 113 milhões inscritos em restos a pagar, enquanto a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 autorizou apenas 5% de remanejamento, valor próximo de R$ 112 milhões.

Para o presidente da Câmara, o decreto de calamidade financeira revela problemas de gestão e planejamento, e não falta de apoio do Legislativo.

“Ontem a prefeita decretou calamidade financeira e nós também ficamos assustados. Uma gestão que praticamente só está pagando folha, não consegue fazer tapa-buraco, o Pronto-Socorro enfrenta falta de medicamentos, a cidade está suja e faltando serviços básicos. Isso demonstra má gestão e falta de planejamento”, afirmou.

Durante o pronunciamento, Wanderley disse ainda que nunca havia visto Várzea Grande enfrentar uma situação semelhante e cobrou transparência sobre a aplicação dos recursos públicos.

“A conta não fecha. Como a população quer saber, eu também quero saber para onde está indo esse dinheiro. Nasci e fui criado em Várzea Grande e nunca vi um decreto de calamidade financeira na cidade. Também estou assustado e quero respostas”, concluiu.

A manifestação ocorre um dia após Flávia Moretti publicar decreto declarando calamidade financeira e fiscal no município e no Departamento de Água e Esgoto (DAE). Ao justificar a medida, a prefeita afirmou que enfrenta bloqueios judiciais, elevado passivo financeiro herdado de administrações anteriores e dificuldades para acessar recursos federais em razão da não aprovação de projetos pela Câmara Municipal. O posicionamento de Wanderley amplia o embate entre os Poderes e reforça a disputa sobre quem é o responsável pela crise financeira enfrentada por Várzea Grande.

Veja o vídeo:


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