- CUIABÁ
- SEXTA-FEIRA, 7 , AGOSTO 2026
O deputado federal Fábio Garcia (União Brasil), candidato a vice-governador na chapa de Otaviano Pivetta (Republicanos), negou nesta quinta-feira (6) qualquer ligação com os fundos de investimento citados na Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal para apurar supostas irregularidades envolvendo o acordo de R$ 308 milhões firmado entre o Governo de Mato Grosso e a empresa Oi.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Garcia afirmou que não é acionista, cotista ou possui qualquer participação nos fundos que receberam recursos relacionados ao acordo investigado. Segundo ele, documentos comprovariam que seu nome foi incluído no caso sem relação com os fatos apurados.
“A decisão fala de fundos ligados à minha pessoa. Não é verdade. Olha a declaração dos fundos que receberam dinheiro da Oi, que comprovam que eu não sou e nunca fui acionista ou cotista de nenhum deles”, afirmou.
O parlamentar também negou que tenha sido alvo de busca e apreensão e disse que a Casa Civil, pasta que comandou no Governo do Estado, não teve qualquer participação no processo envolvendo a negociação com a empresa de telefonia.
“Primeiro quero deixar claro que é mentira que fui alvo de busca e apreensão. Não fui. A Operação da Oi jamais passou pela Casa Civil. Não é atribuição dessa pasta. Não há um ato sequer meu neste processo”, declarou.
Garcia afirmou ainda que a investigação tentou criar uma relação entre ele e os fundos mencionados pela Polícia Federal, mas disse que irá apresentar provas para rebater as suspeitas.
“Aí alegam que eu não sou. Que meu pai é sócio de um fundo que ele também não é. Deem uma olhada também nesta declaração. Pouco a pouco, nós vamos desmontando cada mentira e mostrando a verdade”, disse.
Em tom político, o candidato a vice de Pivetta afirmou que a operação ocorre no início do período eleitoral e acusou adversários de tentarem desgastar o grupo governista.
“A eleição está começando e os velhos atores da política já estão atuando. Infelizmente a política é assim mesmo. Há consequências em se guerrear contra o mal”, afirmou.
Garcia finalizou dizendo confiar que os documentos irão esclarecer sua relação com o caso e voltou a criticar antigos grupos políticos. “Não tenho dúvidas, o bem vai vencer o mal, a velha política não vai voltar para destruir Mato Grosso mais uma vez”, declarou.
Veja vídeo:
Operação Heritage
A Operação Heritage tem como alvo 31 pessoas, entre elas Mauro Mendes, familiares, aliados políticos, integrantes do Judiciário, empresários e operadores financeiros. A Polícia Federal investiga, em tese, crimes como organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e uso indevido de informação privilegiada. Os investigados negam irregularidades e são considerados inocentes até eventual condenação definitiva.
Segundo a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), todos os investigados estão submetidos a medidas cautelares, entre elas a proibição de manter contato entre si, exceto nos casos de vínculo familiar, recolhimento de passaportes, impedimento de deixar o país, quebra dos sigilos bancário e fiscal e bloqueio de bens.
De acordo com a Polícia Federal, a investigação teve origem na análise de um acordo firmado entre o Estado de Mato Grosso e a Oi S.A., relacionado à restituição de valores decorrentes de uma disputa tributária. A suspeita é de que a operação tenha sido utilizada para desviar mais de R$ 308 milhões dos cofres públicos por meio de uma complexa estrutura financeira formada por fundos de investimento em cascata e empresas interpostas, criada para ocultar a origem e o destino dos recursos.