- CUIABÁ
- SEGUNDA-FEIRA, 21 , SETEMBRO 2026
O partido Agir acionou a Justiça Eleitoral e pediu a cassação do registro de candidatura da candidata a deputada estadual Alessandra Ferreira Cróco de Souza (Podemos), além do afastamento cautelar, por 90 dias, do prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira de Souza. A Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) foi protocolada na sexta-feira (19), no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT).
Na ação, a legenda aponta possíveis casos de abuso de poder político e econômico e de condutas vedadas durante o período eleitoral. O partido sustenta que a estrutura administrativa da Prefeitura de Rondonópolis teria sido utilizada para favorecer a candidatura de Alessandra.
Entre os episódios citados estão a divulgação de obras públicas, eventos realizados ou apoiados pelo município, distribuição de benefícios e uso de canais oficiais de comunicação.
Um dos casos questionados envolve obras de pavimentação no bairro Sagrada Família, financiadas pelo Governo de Mato Grosso. Conforme a ação, Alessandra teria associado a própria imagem às intervenções em publicações nas redes sociais, ao lado do prefeito e de outros agentes políticos, mesmo sem ocupar cargo na administração durante a execução das obras.
O Agir também questiona a realização da 52ª Exposul, entre os dias 3 e 9 de agosto. Segundo a representação, o município destinou R$ 2 milhões ao evento, que teve entrada gratuita e transporte coletivo sem cobrança durante a programação. A participação de Cláudio e Alessandra na divulgação e em ações relacionadas à festa é apontada pelo partido como um dos fatos que devem ser analisados pela Justiça Eleitoral.
Outro episódio citado é a 1ª Copa Integração, realizada por meio de uma parceria de R$ 1,048 milhão em recursos públicos. Segundo a ação, Alessandra, que já havia deixado o cargo de secretária municipal de Promoção e Assistência Social, participou da abertura do evento, em 29 de agosto, e fez uso da palavra.
A representação ainda cita a distribuição gratuita de picolés durante o desfile de 7 de Setembro e o 10º Caveiras Moto Festival, realizado entre 4 e 6 de setembro. Para o partido, a utilização da estrutura e dos canais oficiais da Prefeitura durante o período eleitoral precisa ser apurada.
O Agir também levou ao TRE um episódio envolvendo o processo nº 0600044-06.2026.6.11.0046. Segundo a legenda, funcionários da Prefeitura teriam utilizado um canal oficial de WhatsApp para entrar em contato com pessoas atendidas pelo CRAS Alfredo de Castro 1 e, em tese, fazer divulgação política em favor de Alessandra. O caso ainda está em apuração.
A legenda sustenta ainda que a exposição política da candidata teria continuado após sua exoneração do cargo de secretária municipal, em 1º de abril, para cumprimento das regras de desincompatibilização.
No pedido apresentado ao TRE-MT, o Agir requer que os fatos sejam analisados em conjunto para verificar se houve utilização da estrutura pública em benefício eleitoral. Em caso de procedência da AIJE, a legislação prevê, entre outras consequências, a cassação do registro ou diploma da candidata beneficiada e a inelegibilidade de quem tenha contribuído para o abuso, conforme as circunstâncias reconhecidas pela Justiça.
Em relação ao prefeito Cláudio Ferreira, o partido pede o afastamento cautelar por 90 dias, alegando que a medida seria necessária para preservar a instrução do processo e impedir eventual continuidade das condutas investigadas.
Os pedidos ainda serão analisados pela Justiça Eleitoral. A apresentação da ação não significa que as irregularidades tenham sido reconhecidas pelo TRE-MT. Os fatos ainda serão apurados no processo, com direito ao contraditório e à ampla defesa dos envolvidos.