- CUIABÁ
- TERÇA-FEIRA, 11 , AGOSTO 2026
O deputado federal Fábio Garcia (União Brasil) afirmou nesta terça-feira (11) que a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi determinante para que ele recuasse da candidatura a vice-governador na chapa de Otaviano Pivetta (Republicanos). Em entrevista coletiva, Garcia revelou que a restrição imposta pela decisão judicial o impede de se comunicar com o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil), situação que, segundo ele, criaria dificuldades para a condução da campanha eleitoral de 2026.
Garcia explicou que recebeu dos presidentes dos partidos que integram a coligação o pedido para reavaliar sua candidatura e retornar à disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados. Diante da restrição judicial e da necessidade de manter o projeto político do grupo, ele decidiu aceitar a mudança e disputar novamente a eleição para deputado federal.
“A decisão do ministro Flávio Dino impõe a todos nós, do nosso grupo político, uma restrição. Eu e o ex-governador Mauro Mendes, pela decisão do ministro, não podemos nos comunicar. Portanto, não podemos estar no mesmo local. Isso impõe a todos nós uma dificuldade de poder tocar a campanha”, afirmou.
Segundo Garcia, a decisão foi tomada após uma avaliação sobre as condições para manter a candidatura a vice diante das limitações impostas pela Justiça. “Eu recebi, portanto, o pedido dos presidentes do partido da nossa coligação para que eu reavaliasse a candidatura a vice-governador e voltasse à candidatura de deputado federal. E entendendo, portanto, que nós precisamos tocar para frente o projeto, eu vou voltar a ser candidato a deputado federal”, declarou.
O deputado afirmou ainda que a mudança não representa rompimento com o grupo político. Segundo ele, existem “realidades” que precisam ser enfrentadas e, neste momento, a prioridade é preservar o projeto construído pelas lideranças para as eleições do próximo ano. Garcia classificou a decisão como um consenso entre os aliados e afirmou que pretende seguir trabalhando normalmente.
“Tem realidades que estão postas na nossa frente e a gente precisa ter coragem de tomar decisão. Como o governador Pivetta falou aqui, esse foi um consenso no grupo e vida que segue. Eu vou levantar a cabeça e seguir trabalhando”, afirmou.
Garcia também destacou sua trajetória dentro do grupo político para afastar qualquer possibilidade de ressentimento com a decisão. Ele lembrou que já ocupou cargos no Executivo municipal e estadual e exerceu mandatos no Legislativo, além de ter integrado diretamente a gestão do grupo que atualmente comanda Mato Grosso.
“Eu, dentro desse grupo político, fui secretário de governo da Prefeitura de Cuiabá, fui deputado federal, fui senador da República, fui chefe da Casa Civil do Governo do Estado de Mato Grosso. Não posso ter sentimento de injustiça com meu grupo”, declarou.
Questionado sobre a investigação que envolve integrantes do núcleo político e administrativo do governo, Garcia demonstrou tranquilidade e afirmou confiar na própria conduta. O deputado disse ter convicção sobre a legalidade de seus atos e afirmou estar preparado para apresentar sua defesa diante das acusações.
“Super tranquilo, super absolutamente tranquilo. Tenho absoluta convicção dos meus atos e da minha honestidade”, afirmou.
A mudança ocorre em um momento de forte movimentação dentro da base governista, após os desdobramentos da Operação Heritage e as restrições judiciais impostas a investigados, entre elas a proibição de comunicação entre Garcia e Mauro Mendes. O inquérito apura um suposto acordo de R$ 308 milhões com a Oi, que teria beneficiado os investigados.