terça-feira, 11 - agosto 2026 - 16:13



EFEITO HERITAGE

Após batida da PF, Mauro Carvalho entrega comando da Casa Civil; 'vou provar minha inocência'


Thiago Raphael / Da Redação
Mauro Carvalho – Reprodução
Mauro Carvalho – Reprodução

O secretário-chefe da Casa Civil de Mato Grosso, Mauro Carvalho, anunciou nesta terça-feira (11) que está deixando o cargo, cinco dias depois de ser alvo da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal para investigar um suposto esquema envolvendo o acordo de R$ 308 milhões firmado entre o Governo de Mato Grosso e a empresa Oi.

A saída ocorre no mesmo dia em que o deputado federal Fábio Garcia também anunciou a renúncia ao cargo de vice na chapa do governador Otaviano Pivetta (Republicanos). As duas movimentações eram esperadas diante dos desdobramentos da operação, que atingiu integrantes e pessoas ligadas ao grupo político que comandou o Estado nos últimos anos.

Carvalho comunicou a decisão por meio de uma carta divulgada nesta terça. Segundo ele, a saída ocorre por decisão própria, tomada em conjunto com a família e o governador Otaviano Pivetta. O agora ex-secretário afirmou que pretende se dedicar à família, às empresas e à defesa no âmbito da investigação.

“Saio de pé e com a consciência tranquila”, declarou.

Na manifestação, Carvalho voltou a negar qualquer participação no acordo firmado com a Oi e afirmou que não ocupava cargo público entre dezembro de 2023 e abril de 2024, período em que o processo teria tramitado no Governo de Mato Grosso.

O secretário também destacou que o Supremo Tribunal Federal (STF) negou um pedido de afastamento do cargo feito pela autoridade policial. Segundo Carvalho, a decisão teria acolhido manifestação da Procuradoria-Geral da República de que não havia indícios de utilização do cargo para finalidade ilícita.

A Operação Heritage investiga a destinação de R$ 308 milhões pagos pelo Estado à Oi em um acordo firmado em 2024. Investigações e documentos apresentados anteriormente apontaram que os recursos passaram por fundos de investimento antes de chegarem a empresas ligadas a familiares e pessoas próximas de integrantes do grupo político.

O caso ganhou novos contornos com a operação da PF, que passou a investigar formalmente as relações entre os envolvidos. Mauro Carvalho foi um dos alvos da ação, assim como outras pessoas ligadas ao acordo.

Além das consequências políticas, a investigação também criou uma dificuldade prática para os envolvidos. Por determinação do STF, os investigados estão proibidos de manter contato entre si, o que atinge diretamente pessoas que mantinham relações políticas e empresariais próximas.

A restrição também pesa sobre a atuação política do grupo, já que Carvalho ocupava a principal secretaria política do governo de Pivetta e tinha participação direta na articulação entre o Executivo, partidos e aliados.

A saída de Carvalho representa a segunda baixa no alto escalão do governo estadual provocada pelos desdobramentos da operação. Na semana passada, o então procurador-geral do Estado, Francisco Lopes, também deixou o cargo após ser alvo da investigação.

Na carta de despedida, Carvalho afirmou ainda que não foi denunciado, não responde a processo criminal e não foi condenado. Disse que pretende colaborar para o esclarecimento dos fatos e provar sua inocência e a de seus familiares.

“Investigações não são condenações”, escreveu.

O ex-secretário encerrou a manifestação agradecendo a Pivetta, aos servidores da Casa Civil e à própria família. A partir de agora, segundo ele, a prioridade será acompanhar as investigações e defender-se das acusações.

Veja:

Aos mato-grossenses, Comunico que deixo, nesta data, o cargo de Secretário-Chefe da Casa Civil do Estado de Mato Grosso.
Não retornei ao serviço público por ambição nem por vaidade.
Eu havia deixado a Casa Civil em julho/2023 para assumir
* Senado Federal, e não tinha nenhuma intenção de voltar.
Em dezembro de 2025, veio um novo convite do Otaviano Pivetta e Mauro Mendes, e no primeiro momento eu não aceitei.
Levei algumas semanas para responder. Respondi sim, por gratidão e por lealdade a um grupo político do qual nunca me afastei, e assumi a Casa Civil em abril/2026. Saio hoje pela mesma razão pela qual entrei: lealdade.
Deixo o cargo para me dedicar inteiramente a minha família, as minhas empresas e esclarecer estes fatos e provar a minha inocência.
Entre dezembro de 2023 e abril de 2024 — período em que tramitou o processo da Oi — eu já não ocupava nenhum cargo público, nem federal nem estadual, de modo que não poderia influenciar em absolutamente nada a decisão de firmar ou não o acordo.
Saio de pé e com a consciência tranquila.
Registro, com serenidade, três fatos objetivos e verificáveis:
Primeiro. O afastamento do meu cargo foi requerido pela autoridade policial e foi indeferido pelo Supremo Tribunal Federal que negou a medida, acolhendo a manifestação da Procuradoria-Geral da República no sentido de que não havia indício de uso do meu cargo para qualquer finalidade ilícita. Não saio, portanto, por determinação judicial. Saio por decisão tomada por mim em conjunto com a minha família e com o
Governador do Estado.
Segundo. Isto é uma investigação — e investigação não é condenação. Não fui denunciado, não estou sendo processado criminalmente e não fui condenado. A própria decisão diz com todas as letras, que não está afirmando a culpa de ninguém: ela apenas autoriza que os fatos sejam apurados. Apurar é o começo do caminho. Julgar é o fim. Estamos no começo, e eu
Terceiro. Reafirmo integralmente o que já declarei publicamente em nota, não participei do acordo e não me beneficiei. Nenhum recurso originário do acordo firmado com a Oi foi utilizado em benefício próprio ou da minha família. Todo valor aportado pela minha família nas empresas de que participamos decorre de recursos do meu grupo empresarial. Na decisão, não me é atribuído nenhum ato concreto: meu nome figura por vínculo – e vínculo não é conduta. Tenho a convicção de que, ao final do processo, o caso será esclarecido e a minha inocência e a da minha família comprovadas.
Sobre a ação que corre no Tribunal de Justiça de Mato Grosso, e que trata dos mesmos fatos: ela não diz, em momento algum, que eu fiz alguma coisa. E, quando trata dos meus familiares, o próprio denunciante escreveu que o benefício teria sido indireto, ou seja, nem ele aponta um pagamento, um contrato, um ato, pois não existe. Quem tem prova não precisa escrever
“indiretamente”.
Deixo registrada minha solidariedade ao Procurador Geral do Estado Dr. Francisco Lopes e ao Deputado Federal Fábio Garcia, que nesta mesma semana tiveram a honra exposta antes de qualquer contraditório.
Ao Governador Otaviano Pivetta, minha gratidão pela confiança e meu desejo sincero de que o Governo siga em frente. Aos servidores da Casa Civil, meu respeito e admiração. A minha família, que carregou o peso maior sem ter escolhido nada disso, todo o meu amor.
Peço a Deus que a verdade prevaleça, e que ninguém seja condenado sem culpa, como aconteceu com Jesus diante de Pilatos. Que Deus abençoe todos nós.
Mauro Carvalho Junior
Cuiabá/MT, 11 de agosto de 2026


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