- CUIABÁ
- QUARTA-FEIRA, 26 , AGOSTO 2026
A ex-secretária-adjunta de Estado de Saúde, Caroline Campos Dobes, disse estar esgotada de responder às acusações após prestar depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde, realizada nesta quarta-feira (26), na Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Ao deixar a sessão, ela declarou que há anos vem sendo submetida a um “julgamento popular” e que sua imagem foi “massacrada” mesmo sem ter sido responsabilizada judicialmente pelas irregularidades investigadas.
“Faz muitos anos que eu estou sendo submetida a um processo de julgamento popular e sendo massacrada na minha imagem, na minha vida, sem nada eu ter a ver com isso”, afirmou Caroline.
A CPI da Saúde investiga possíveis irregularidades em contratos, compras e na gestão de serviços de saúde pública realizados pelo Estado entre 2019 e 2025, com atenção especial às contratações emergenciais e dispensas de licitação durante a pandemia.
A ex-secretária explicou que decidiu responder às perguntas dos deputados mesmo tendo sido excluída de processos relacionados às investigações. Segundo ela, foram feitas 70 perguntas durante a oitiva e todas foram respondidas. “Tudo que precisava ser respondido ou provado da minha parte foi apresentado judicialmente há muitos anos”, disse. Caroline afirmou ainda que já apresentou provas à Justiça e que decisões judiciais reconheceram que ela não fazia parte das irregularidades investigadas.
Segundo a ex-secretária, ela sequer chegou a se tornar ré em uma das ações. “Eu fui excluída do rol de réu. Nunca cheguei a responder por isso. As provas foram julgadas e considerou que eu não fazia parte disso”, declarou.
Caroline também afirmou que a Justiça Federal não recebeu denúncia contra ela. “Então eu nunca fui processada”, ressaltou.
Durante a entrevista após o depoimento, Caroline também reagiu à forma como, segundo ela, vem sendo retratada publicamente em meio às investigações. “Não sou a mulher da SES de forma pejorativa. Se eu sou uma mulher da SES, eu sou uma mulher que trabalha e que tirou grandes projetos assistenciais para salvar a população de Mato Grosso num momento crítico da pandemia”, afirmou.
Ela citou como exemplo o centro de triagem criado durante a pandemia de Covid-19, projeto que atribuiu à sua atuação como secretária. Caroline também defendeu a continuidade das investigações da CPI e afirmou que os deputados estão cumprindo a função para a qual foram eleitos.
“Eles estão cumprindo com o papel pelo qual foram eleitos e continuam trabalhando dentro daquilo, da competência deles, daquilo que se espera deles”, disse.
Depoimento reservado
A oitiva de Caroline ocorreu de forma reservada após pedido apresentado por seu advogado, Ricardo Monteiro. Segundo ela, a solicitação teve como objetivo evitar que as declarações prestadas fossem utilizadas no contexto político-eleitoral. “A questão é para que os depoimentos que foram prestados não fossem usados nesse momento político, já que a minha posição técnica, a minha posição nesse processo todo sempre foi técnica”, explicou.
A ex-secretária afirmou, porém, que não houve qualquer tentativa de esconder informações durante o depoimento. “Foram feitas 70 perguntas e as 70 perguntas foram respondidas. Todas elas foram respondidas”, declarou.
Ao final, Caroline pediu respeito e disse estar no limite emocional após a convocação para depor. “Eu estou no meu limite, eu peço que vocês me respeitem e, na próxima oportunidade, a gente responde mais”, afirmou.
O depoimento do ex-secretário de Saúde Gilberto Figueiredo, que estava previsto para esta quarta-feira, foi remarcado para 2 de setembro, após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) determinar o comparecimento dele à comissão.