sexta-feira, 2 - outubro 2026 - 16:33



FORTUNA PARADA

Fagundes acusa 'barões do agro' de controlar R$ 2 bi do Fundo do Algodão


Jaqueline Gama - Especial para o FatoAgora
Wellington Fagundes – FatoAgora
Wellington Fagundes – FatoAgora

O candidato ao Governo de Mato Grosso e senador Wellington Fagundes (PL) criticou a destinação dos recursos do Fundo do Algodão e afirmou que quase R$ 2 bilhões estariam acumulados sem cumprir, segundo ele, a finalidade de desenvolver a cadeia produtiva do setor no estado. Durante sabatina com candidatos ao Senado promovida pelo Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT), Wellington também questionou quem controla os recursos e fez referência aos irmãos Maggi, ligados a um dos maiores grupos do agronegócio de Mato Grosso.

Ao defender mudanças na gestão dos fundos de desenvolvimento, o senador afirmou que os recursos deveriam ser utilizados para ampliar a industrialização, qualificar trabalhadores e gerar empregos dentro de Mato Grosso.

“Vocês têm noção de quanto hoje o Fundo do Algodão tem em caixa? Vocês são jornalistas, vocês são bem informados. Olha só: a população muito menos. Quase dois bilhões de reais. Isso tinha que estar gerando a cadeia produtiva”, declarou.

Na sequência, Wellington criticou o fato de o estado ser um dos principais produtores de algodão do país, mas ainda contar, segundo ele, com uma estrutura industrial insuficiente para processar a produção local.

“Nós somos um grande produtor de algodão, praticamente não temos indústria no Mato Grosso, e isso é obrigação do Fundo do Algodão. Nós tínhamos que ter um centro tecnológico para o desenvolvimento da cadeia produtiva, para gerar emprego, qualificar o nosso trabalhador”, afirmou.

O candidato também questionou a utilização dos recursos e disse que o dinheiro estaria mantido em instituições financeiras em vez de ser aplicado no desenvolvimento da atividade.

“Aquele dinheiro que está lá guardado no banco para ser servido em especulação. Vocês sabem na mão de quem controla isso? Vocês sabem? […] Tudo do algodão hoje? Quem controla? […] São pouquíssimos. E esse dinheiro tinha que servir para gerar emprego”, disse.

Na fala, Wellington fez referência aos irmãos Maggi ao abordar o controle do setor. A declaração foi apresentada pelo candidato como uma crítica à concentração da gestão dos recursos do fundo, mas ele não apresentou, durante a sabatina, documentos que comprovassem eventual irregularidade na administração do dinheiro.

Promessa de mudança

Questionado sobre o que faria caso fosse eleito governador, Wellington afirmou que pretende alterar a forma de aplicação dos recursos e fazer com que os fundos cumpram a finalidade para a qual foram criados.

“Claro que vou. Vou impor que a finalidade, como o Dante criou, é para desenvolver a cadeia”, afirmou.

O senador citou ainda os fundos ligados a outras cadeias produtivas e defendeu uma política de industrialização que, na avaliação dele, permita a Mato Grosso agregar valor à produção antes de exportá-la.

Ao falar sobre a pecuária, Wellington afirmou que o estado possui o maior rebanho bovino do país, mas que grande parte da produção é enviada para fora para ser processada.

“Nós somos, temos o maior rebanho bovino brasileiro. A indústria recebe milhões e bilhões de incentivos fiscais. Praticamente exportamos tudo. A carcaça, abate o bovino aqui e leva embora a carcaça e a indústria gerada lá fora. Vamos industrializar aqui”, disse.

Como exemplo, citou a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Cáceres e defendeu a instalação de indústrias de carne, madeira e tecelagem no interior do estado.

Descentralização

Durante a sabatina, Wellington também apresentou como proposta de governo a descentralização administrativa, com a criação de estruturas regionais do Executivo em diferentes regiões de Mato Grosso.

Segundo ele, o objetivo seria aproximar o governo estadual das demandas locais e estimular a instalação de indústrias fora da região metropolitana de Cuiabá.

“Eu quero falar mais uma. O meu governo, nós vamos descentralizar a nossa gestão. […] Eu vou criar subsedes do governo, Sinop, todas essas regiões que eu disse, porque a presença do governo em quem vive a região, que sabe os problemas da região, lá eles vão trazer para cá. Por isso que eu vou ser um governo do diálogo.”

Wellington também defendeu investimentos em infraestrutura, logística e energia como condições para a industrialização regional.

“Se essas regiões produzem, essas regiões têm que ter indústria. Claro, aí é o que eu sempre fiz: investir na infraestrutura, na logística, energia confiável. A Energisa vai ter que fazer, sim, levar energia trifásica.”

A sabatina do CRM-MT reuniu candidatos ao Senado e abordou propostas para diferentes áreas da administração pública. As declarações de Wellington sobre o Fundo do Algodão foram apresentadas no contexto de sua defesa de uma política de industrialização e de maior aplicação dos recursos das cadeias produtivas dentro do próprio estado.


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