- CUIABÁ
- TERÇA-FEIRA, 29 , SETEMBRO 2026
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), ironizou o uso de símbolos religiosos pela primeira-dama Janja Lula da Silva em meio à polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida e a disputa eleitoral. Durante a sessão da Câmara de Vereadores desta terça-feira (29), o prefeito afirmou que “eleição faz milagre” ao comentar uma imagem de Janja usando uma medalha da santa e uma camisa do Flamengo.
“Olha, eleição faz milagre. Eleição faz milagre. Faz a Janja, que é da religião da Umbanda, vestir a camisa do Flamengo e colocar o símbolo de Nossa Senhora no peito”, afirmou.
A declaração ocorre em meio à repercussão política envolvendo Nossa Senhora Aparecida, depois que passou a circular nas redes sociais a informação de que o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, teria a intenção de retirar da santa o título de padroeira do Brasil.
A informação, contudo, é falsa. O conteúdo foi relacionado a um projeto apresentado em 2007 pelo então deputado federal Victório Galli, que propunha alterar o título de Nossa Senhora Aparecida, mas a proposta foi arquivada em 2008 e não tem autoria de Flávio Bolsonaro.
O episódio envolvendo Janja ganhou força nas redes sociais após ela aparecer ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usando uma camisa do Flamengo e uma medalha de Nossa Senhora Aparecida. A imagem foi registrada durante uma cerimônia em Brasília.
Na avaliação de Abilio, o episódio seria um exemplo de como a disputa eleitoral modifica discursos e aproxima políticos de segmentos religiosos. Abilio lembrou das “famílias em conserva” durante o desfile da Acadêmicos de Niterói no Carnaval de 2026, que uis ironizar o uso político e a hipocrisia de discursos em torno da chamada “família tradicional” por determinados grupos
“Faz a Janja reunir com um grupo de evangélicos falando que são evangélicos de esquerda. E faz o PT defender, entre aspas, oportunamente, um posicionamento religioso. Eleição faz milagres”, afirmou.
O prefeito também fez críticas ao posicionamento do governo Lula em relação à religião. Ele citou a Igreja Batista da Lagoinha e afirmou que o presidente não deveria fazer ataques contra instituições religiosas.
“O Lula acabou de atacar, veementemente, em dois, três discursos, a igreja Lagoinha. Acusando de forma caluniosa e difamatória a igreja Lagoinha, do qual tem meu apreço, meu respeito. A igreja Lagoinha é uma igreja séria, com posicionamento sério, com respeito”, declarou.
Abilio questionou ainda se outras igrejas poderiam ser alvo de críticas do presidente e afirmou que a posição de Lula não seria adequada para um chefe do Executivo.
“Eu acho que isso não cabe a um presidente da República. Não cabe ao presidente da República fazer um posicionamento de ataque a uma fé religiosa ou de tentar desconstruir uma fé religiosa”, disse.
Ao final, Abilio ampliou as críticas para outras mudanças de posicionamento que atribuiu ao período eleitoral. Segundo ele, o processo de campanha faz com que políticos adotem discursos diferentes dos praticados durante o mandato.
“Então, infelizmente, eu acho que o processo eleitoral revela muito do qual é a índole e o caráter daquele candidato”, concluiu.