- CUIABÁ
- SEXTA-FEIRA, 25 , SETEMBRO 2026
A síndica Selma Guimarães Souza foi destituída do cargo durante Assembleia Extraordinária realizada nesta quinta-feira (24), no Condomínio Chapada dos Buritis, em Várzea Grande. A saída ocorre em meio a uma série de reclamações de moradores sobre a administração do residencial, que envolvem falta de transparência, problemas no abastecimento de água e a postura da gestora nos canais de comunicação.
De acordo com a ata da assembleia, foram apresentadas 199 assinaturas para a convocação do encontro, das quais 172 foram consideradas válidas após análise. Durante a votação da destituição, foram registrados 79 votos favoráveis e 15 contrários. Durante a assembleia, foram abertas inscrições para que os moradores interessados pudessem se candidatar ao cargo. O então sub-síndico Janio Oliveira Bazan colocou seu nome à disposição e foi eleito para assumir a administração do condomínio até a realização de uma nova eleição, prevista para dezembro.
Entre as reclamações apresentadas por moradores estavam a falta de transparência na gestão e uma postura considerada “autoritária” nos canais de comunicação internos. Segundo os relatos, condôminos que faziam críticas à administração teriam sido removidos ou silenciados em grupos utilizados para comunicação entre os moradores.
Também foram apontadas dificuldades na condução dos problemas relacionados ao abastecimento de água, uma questão que há anos afeta o residencial e já gerou disputas judiciais e gastos elevados com caminhões-pipa.

Troca de gestão se repete
A destituição de Selma ocorre poucos meses depois dela ter assumido o comando do condomínio no lugar síndico Josiel Santos. A mudança anterior também foi marcada por uma assembleia de destituição e por uma disputa envolvendo moradores. Em abril deste ano, Josiel foi retirado do cargo em votação que, segundo informações divulgadas posteriormente, terminou com 58 votos favoráveis à saída e apenas um contrário. Na mesma ocasião, Selma foi escolhida para assumir provisoriamente a administração.
Na ocasião, moradores questionaram a mudança e chegaram a classificar o movimento como um “golpe”. A própria disputa pela gestão anterior chegou à Justiça diante da manifestação de moradores que questionavam a forma como as assinaturas para convocação da assembleia que retirou Josiel do cargo teriam sido obtidas. Algumas pessoas teriam assinado acreditando que o documento seria utilizado para tratar de problemas relacionados ao abastecimento de água.
Crise financeira
A situação financeira do condomínio também aparece entre os problemas que cercam as sucessivas trocas de gestão.
Em setembro, o Condomínio Parque Chapada dos Buritis entrou na Justiça contra Josiel Santos, integrantes de administrações anteriores e a Planserv Administradora, cobrando ressarcimento por supostos prejuízos e a apresentação de documentos contábeis. As acusações estão descritas na petição inicial e ainda serão submetidas ao contraditório.
Segundo reportagem publicada nesta semana, a ação aponta uma diferença de R$ 91,7 mil entre valores arrecadados especificamente para o pagamento de caminhões-pipa e despesas registradas para essa finalidade. A petição afirma que foram arrecadados R$ 187.488,79 entre julho de 2025 e abril de 2026, enquanto as despesas registradas somaram R$ 95.775.
O processo também cita outros débitos encontrados na mudança de administração, incluindo obrigações com o Departamento de Água e Esgoto, fornecimento de gás e impostos. Segundo a ação, a conta principal do condomínio teria saldo de aproximadamente R$ 900 no fim de abril e o fundo de reserva estaria zerado.
Problema com água se arrasta há anos
A falta de água é outro capítulo antigo da crise no Chapada dos Buritis. O condomínio, que possui mais de 600 unidades, já enfrentou períodos prolongados de desabastecimento e precisou recorrer a caminhões-pipa para atender os moradores.
Em 2021, o então síndico Josiel Santos relatou que os moradores enfrentavam meses de problemas no abastecimento e que os gastos com caminhões-pipa ultrapassavam R$ 30 mil. Na época, havia decisão judicial determinando que o DAE fornecesse água por meio de caminhões-pipa em quantidade suficiente.
A situação continuou nos anos seguintes. Em 2025, o condomínio entrou novamente na Justiça contra o DAE/VG, alegando interrupções superiores a 24 horas e informando um gasto de R$ 61,6 mil com caminhões-pipa para garantir o abastecimento das unidades.
Em março deste ano, moradores voltaram a denunciar falta de água por mais de 40 dias. Na ocasião, relatos apontavam que mais de 600 famílias eram afetadas e que o condomínio acumulava despesas com caminhões-pipa. O DAE, por sua vez, negou que houvesse desabastecimento prolongado e afirmou que o sistema havia sido normalizado após uma intervenção realizada em março.
A administração de Selma também ficou marcada por um episódio de conflito com uma moradora em maio deste ano. A então síndica registrou boletim de ocorrência relatando perseguição, ameaças, injúria racial e agressão física. O episódio teria sido registrado pelas câmeras de segurança do condomínio. Segundo o relato apresentado por Selma à Polícia Civil, a discussão começou após uma reclamação sobre infiltração em um apartamento. Laudos técnicos, segundo a versão apresentada pela síndica, apontaram que o problema teria origem em uma unidade superior.
Outro lado
Selma foi procurada pela reportagem para comentar sobre o caso, mas até a publicação deste matéria, não houve resposta. O espaço segue aberto.
Veja: